Governo Federal utilizará tecnologia para combater tráfico de drogas no Porto de Santos

Segurança no cais santista foi o principal assunto de reunião entre o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o deputado federal Júnior Bozzella

O Governo Federal utilizará tecnologia para combater o tráfico de drogas no Porto de Santos. A proposta do Ministério da Justiça é implementar esse projeto no próximo semestre. A medida foi explicada pelo titular da pasta, Sérgio Moro, para o deputado federal Júnior Bozzella (PSL-SP), em audiência realizada na última terça (30), em Brasília. Segundo o parlamentar, “a questão está bem avançada”.

Bozzella ressalta que a segurança no cais santista foi o principal assunto abordado no encontro. Nos primeiros meses do ano, foram apreendidas cerca de duas toneladas de cocaína. Ele acredita que o tema avance após a votação da Reforma da Previdência e do Pacote Anticrime. 

“Expus ao ministro que há um crescimento alarmante com relação à quantidade de drogas. Ele (Moro) disse que está por dentro do assunto e que existe um estudo em andamento (para combater a questão). Obviamente, algumas coisas são tratadas de forma sigilosa, mas são tecnologias para um monitoramento”.

Bozzella observa que a grandeza territorial do Porto de Santos prejudica as ações. “São quase 8 milhões de metros quadrados, além dos terminais marítimos. É difícil fazer uma fiscalização de forma contundente”, diz.

O deputado afirma também ter solicitado o aumento do efetivo de agentes da Polícia Federal. “O ministro disse que é possível, mas focou na questão da tecnologia. Ele foi muito firme no sentido de importar um sistema que possa ser implementado no Porto de Santos e que sirva de exemplo a todos os portos do País”.

De acordo com o parlamentar, a visão e o objetivo do ministro vão de encontro com o que é tratado na Comissão de Viação e Transportes (CVT), da qual é membro. “Precisamos de um modelo de segurança, de combate ao tráfico e contrabando que sirva para todos”. 

Bozzella diz não poder detalhar muito o projeto. “Ele (Moro) pediu para reservar um pouco (o assunto), mas a questão da tecnologia está bem avançada. Vamos implantar o quanto antes”. A ideia, segundo o parlamentar, é não focar apenas na apreensão de drogas. “Tem que combater a causa e o efeito”. 

O deputado aponta que o ministro pediu apoio ao Pacote Anticrime e justificou que a matéria é fundamental para coibir com mais eficiência tais crimes.

Sem resposta 

Questionada sobre o projeto do Ministério da Justiça (pasta à qual está subordinada), a Polícia Federal informou que “as investigações na Delegacia de Polícia Federal em Santos para repressão ao tráfico de drogas no Porto de Santos continuam em compasso acelerado, comprovado pelos números de apreensões divulgados ano a ano pelos meios de comunicação”. 

Mas explicou que, devido à natureza do trabalho, exige sigilo para ter eficácia, não divulga dados sobre investigações em curso. “Esse procedimento também busca a preservação de direitos e garantias constitucionais dos investigados. As ações de inteligência policial seguem as mesmas regras”, informou a PF.

Sobre fatores negativos observados no Porto de Santos para o trabalho policial, a Polícia Federal destacou as dimensões do complexo marítimo, a existência de moradias populares nas imediações, a distância das áreas de fundeio (onde os navios permanecem à espera para atracar), a grande movimentação de contêineres e cargas diversas e o expressivo fluxo de navios, entre outros. 

A Tribuna também entrou em contato com o Ministério da Justiça e com a Marinha do Brasil, esta, apesar de não ter o combate ao narcotráfico como obrigação, realiza um trabalho de cooperação, quando necessário. Os dois órgãos não responderam aos questionamentos da Reportagem.

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