Giovanna Machado: Agronegócio sobre os trilhos

Para um país como o Brasil, o transporte ferroviário possui muitas vantagens

A trajetória das ferrovias teve início em 1800 na Europa, quando um engenheiro inglês arquitetou um veículo a vapor semelhante a uma locomotiva. A criação desse meio de transporte e o seu uso para as cargas trouxeram mudanças revolucionárias, pois os trens encurtam longas distâncias e transportam rapidamente grandes quantidades de mercadorias, facilitando assim a logística. A ferrovia é uma parte importante do desenvolvimento do transporte de carga.

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Ao decorrer dos anos, no Brasil, a malha ferroviária se desenvolveu de forma positiva. Na década de 60, havia mais de 37.000 quilômetros de linhas ferroviárias. Lamentavelmente, após esse frutuário momento, as políticas governamentais de infraestrutura logística mudaram suas prioridades, dando lugar às rodovias e, assim, fazendo com que a taxa de utilização do frete ferroviário diminuísse. 

Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), atualmente, a malha ferroviária brasileira possui quase 30.000 km de extensão.
Para um país como o Brasil, o transporte ferroviário possui muitas vantagens, como a capacidade dos trens de carga, o menor custo do transporte de longa distância, maior segurança em relação às rodovias, entre outros. Tudo isso torna-o um elemento essencial da logística de transportes de cargas.

Os números relacionados ao Agronegócio seguem em ascensão. Contudo, se o transporte e a logística do Brasil pudessem atender a todas as necessidades do setor, principalmente o transporte ferroviário, esse número poderia ser ainda maior. O Brasil, “gigante pela própria natureza”, ainda encontra percalços quando o assunto é logística. 

O transporte rodoviário é o mais utilizado no País. Segundo a Confederação Nacional dos Transportes, ele é o responsável por 68% do transporte de cargas no Brasil. O transporte ferroviário, por sua vez, representa pouco mais de 15%. Atualmente, o principal produto transportado por ferrovias é o minério de ferro – representando pouco mais de 75% de tudo que é transportado por trens no Brasil – ocasionando um impasse, quando paramos para analisar que o Brasil é o maior produtor de soja do mundo. Ou seja, o transporte do grão poderia ser muito mais viável se o modal ferroviário permitisse seu transporte até os portos, seja do Nordeste ou Sudeste do País.

Neste sentido, a EF-170, também chamada de Ferrogrão, prevê a consolidação de um novo corredor ferroviário de exportação do Brasil pelo Arco Norte e é tratada como prioridade no Ministério da Infraestrutura (MInfra), mas ainda enfrenta diversos obstáculos ambientais. Além dos grãos, como soja e milho, a ferrovia tem como objetivo transportar farelo e óleo de soja, fertilizantes, açúcar, etanol e derivados do petróleo. 

Além da Ferrogrão, a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico) também vem ganhando exposição nos últimos meses. Há mais de dez anos sendo projetada, finalmente sairá do papel. Sua construção e utilização ajudarão a reduzir moderadamente a circulação sobre as duas principais vias de escoamento de grãos de Mato Grosso, as Rodovias BR-163 e BR-158. 

Enquanto mudanças significativas não acontecem, continuamos fora dos trilhos. É necessário analisar e discutir de maneira integrada a logística que transporta os produtos agrícolas no País, objetivando o crescimento da economia nacional e maior produtividade para o nosso Agronegócio. É notório e extremamente relevante o uso das ferroviais brasileiras para o setor. 

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