Giovana Machado: Joe Biden versus Agronegócio: o que devemos esperar?

É inegável que a preservação ambiental é uma grande preocupação de Joe Biden, e certamente essa será a postura que mais afetará o Brasil e o Agronegócio

No dia 20 de janeiro deste ano, Joe Biden assumiu como o 46º presidente dos Estados Unidos e, de imediato, declarou uma agenda ambiental e climática mais severa. Para o Brasil, um dos maiores exportadores mundiais, isso pode significar maior pressão sobre o setor do Agronegócio, para fortalecer algumas medidas importantes.

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É inegável que a preservação ambiental é uma grande preocupação de Joe Biden, e certamente essa será a postura que mais afetará o Brasil e o nosso Agronegócio. Nesse contexto, o presidente americano comunicou que os Estados Unidos voltarão ao Acordo de Paris – que tem compromisso mundial sobre as alterações climáticas e finalidade de redução da emissão de gases do efeito estufa. O Brasil faz parte do mencionado acordo, mas precisa levar as questões ambientais mais a sério. 

Segundo dados divulgados pelo governo, o desmatamento brasileiro atingiu uma alta de 12 anos em 2020 e Biden se posicionou sobre esse assunto. O democrata é crítico da destruição da Amazônia. O governo americano convocará uma nova cúpula sobre o clima e o momento será crucial para o Brasil – torçamos para que o Planalto aceite participar, caso contrário, poderá consolidar uma imagem negativa com o país norte-americano.

Diante das queimadas no Pantanal e do desmatamento na Amazônia, várias nações do mundo condenaram o que estava acontecendo no nosso país. Contudo, Trump se manteve imparcial. Ele não cooperava e nem prejudicava. Agora, com Biden, isso irá mudar, justamente por ter uma forte e comprometida agenda ambiental e climática.

Outro ponto que merece atenção é a relação entre Brasil, China e Estados Unidos. Até 2016, os Estados Unidos comandavam as vendas de produtos agrícolas para a China. Em 2017, o vínculo comercial entre o país americano e o país asiático ficou abalado, sendo o Brasil beneficiado com esse cenário. As exportações de commodities brasileiras para a China bateram recordes. 

No ano passado, as transações comerciais entre Brasil e China somaram mais do que o dobro da comercialização entre Brasil e Estados Unidos, ganhando destaque as exportações de soja, minério de ferro e carne bovina. Contudo, o atual presidente americano é apoiador do multilateralismo, o que torna possível uma reaproximação comercial entre Estados Unidos e China, mas que não deverá ser desfavorável às exportações brasileiras, já que houve uma redistribuição no mercado.

Se por um lado tivemos o crescimento das vendas do Brasil para a China, por outro, vimos as exportações para os Estados Unidos caírem 27,6% durante a pandemia, de US$ 29,7 bilhões em 2019 para US$ 21,5 bilhões em 2020.

Levando em consideração o apoio de Biden ao multilateralismo, ainda não está claro como deverá ser seu posicionamento na OMC (Organização Mundial do Comércio). A entidade, que está enfraquecida há anos, possui a função de instituir regras para os mercados internacionais, supervisionando as trocas comerciais e seus acordos. A expectativa é de que o presidente americano volte a fortalecer a organização e direcione esforços para acordos multilaterais. 

Na minha visão, a prioridade do Agronegócio deve ser reverter a imagem negativa do setor nas questões ambientais. Estima-se que 95% do desmatamento no Brasil é ilegal e, portanto, está relacionado ao não cumprimento das leis brasileiras. É nossa obrigação resolver esse problema que já dura décadas.

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