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Sábado

24 de Agosto de 2019

Confira detalhes do leilão de terminais no Porto de Santos

Aba Infraestrutura e Logística arrematou terminal de líquidos da Ilha Barnabé e a Hidrovias do Brasil, a instalação de sal e fertilizantes

Uma grande disputa marcou o leilão das áreas do Porto de Santos realizado nesta terça-feira (13), pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), na B3, em São Paulo. Com o pagamento de outorgas de R$ 147 milhões e planos de investimentos de R$ 330 milhões ao longo de 25 anos, os arrendamentos ficaram com as empresas Aba Infraestrutura e Logística (holding que controla os operadores Adonai e Concais) e Hidrovias do Brasil. Está última faz sua estreia nas operações do cais santista.

A disputa foi grande para a área STS20, voltada para fertilizantes e sal, que fica na região de Outeirinhos, com três empresas interessadas no arrendamento. O maior lance inicial foi dado pela holding Hidrovias do Brasil, de R$ 65 milhões, seguida pelo Consórcio TRH (formado pelos grupos Rocha Log e Harbor), que ofertou R$ 40 milhões, e da Aba Infraestrutura e Logística, com R$ 21 milhões. 

Depois de quase 30 lances no viva-voz, a Hidrovias venceu o leilão por R$ 112,5 milhões, com uma diferença de R$ 500 mil reais para a proposta final da TRH . 

A Hidrovias do Brasil é uma e empresa nova, criada em 2011 para ser uma alternativa logística para o Arco Norte e Sul. O principal investidor é o Fundo Pátria e, entre os principais clientes, estão a Cargill e Bunge. Atualmente, ela faz o escoamento da produção agrícola dessas duas empresas pelos portos do Arco Norte. Esta será a primeira atuação no Sudeste.

Granéis líquidos

A área STS13A, que fica na Ilha Barnabé e é destinada para granéis líquidos, com foco em combustíveis, foi arrematada pela Aba Infraestrutura, que já atua no cais santista com a empresa de terminais líquidos Adonai e controla a Concais, arrendatária do Terminal de Passageiros Giusfredo Santini. 

O lance vencedor foi de R$ 35 milhões, apesar da outra concorrente, a Empresa Brasileira de Terminais e Armazéns Gerais, ter oferecido R$ 50 milhões pelo arrendamento.

De acordo com o edital do leilão, empresas com participação de mercado relevante só poderiam ser declaradas vencedoras caso não houvesse outro proponente. A Empresa Brasileira de Terminais e Armazéns Gerais, ligada à Ageo Terminais, já possui três áreas na Ilha Barnabé. Ela chegou a ajuizar um mandado de segurança para participar do leilão. A Justiça deferiu, parcialmente, permitindo sua participação. Mas a empresa só arremataria a área se fosse a única proponente.

Para esta área, o edital da Antaq (o órgão regulador do setor portuário e responsável pelos processos de leilão para arrendamento) prevê um investimento estimado de R$ 111,5 milhões, destinados à implantação de capacidade estática mínima de 70,5 mil m³.

Hoje, a área tem capacidade para cerca de 47 mil m³, mas está inoperante desde 2012, quando a Vopak encerrou as atividades no local. Isso faz com que a empresa tenha que reestruturar toda a infraestrutura.

 

 

Outorgas

Os dois contratos de arrendamento valem por 25 anos, com possibilidade de renovação. As outorgas irão para o Tesouro da seguinte forma: 25% na assinatura e mais cinco parcelas anuais. 

Na última segunda feira (12), o presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), Tércio Casemiro Carvalho, chegou a dizer que o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, sinalizava utilizar esses recursos diretamente no porto de origem. 

Mas nesta terça-feira, em entrevista após o leilão, Freitas afirmou que isso é uma possibilidade, mas que esse valor ainda vai para a União. “O nosso interesse é no investimento. Esses leilões de hoje vão gerar R$ 420 milhões de investimento. Isso vai trazer eficiência nos portos, vai diminuir custo e gerar empregos. Começamos a estudar a possibilidade do aproveitamento da outorga pela autoridade portuária. Não vejo problema nisso”, afirma o ministro, que calcula que cada área arrendada possa gerar cerca de 400 empregos diretos.

No Paraná

Além das áreas do complexo santista, também houve o leilão de um lote no Porto de Paranaguá (PR). Como já era esperado pelo mercado, a Klabin foi a única proponente e arrendou a área, destinada ao transporte de papel e celulose, por R$ 1 milhão.