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Sexta-feira

28 de Fevereiro de 2020

Autoridades buscam potencializar relação Porto-Cidade

A integração é uma das principais diretrizes do Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) do cais santista

A integração Porto-Cidade é uma das principais diretrizes do Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) do Porto de Santos, que está em fase final de elaboração. O estudo contempla a criação de um Masterplan Cultural para preservação do patrimônio histórico, além da destinação do cais do Valongo para atracação de navios de cruzeiro e o fim de conflitos entre veículos e pedestres nas áreas portuárias.

“Quando a gente potencializa o ferro, eu tiro caminhão da Cidade”, destacou o diretor-presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), Casemiro Tércio Carvalho. Ele aponta os planos de segregação de acesso e construção de passarelas para pedestres na área portuária.

Segundo o executivo, há outros eixos de atuação da estatal para a melhoria da relação Porto-Cidade. O Masterplan Cultural ainda deverá ser licitado. Nele, serão levantados os locais com potencial interação com o Município. Entre os principais, estão o prédio que abrigava a antiga Diretoria de Operações (Dirop), a Usina de Itatinga, em Bertioga, além do Valongo e do Museu do Porto.

Na área cultural, o plano ainda prevê a contratação, este ano, do levantamento de todo o arcabouço histórico do Porto. A ideia é categorizar documentos e definir a melhor maneira de torná-los acessíveis para a população.

“O novo conceito que a gente quer trazer é: eu posso ter o antigo e o novo juntos. Isso é olhar o passado e para a modernidade. Achar que gestão do patrimônio histórico-cultural é guardar equipamento velho ou lista telefônica da década passada não é gestão patrimonial”, afirmou o presidente da Docas.

Carvalho ainda aponta o plano de criar um centro de inovação de startups, em parceria com os terminais do cais santista. Ele deve funcionar em um dos casarões do Complexo Cultural do Porto. O Centro de Excelência Portuária (Cenep) também deve aumentar a atuação na preparação para a formação de mão de obra.

“Em Antuérpia, na Bélgica, tem muitos equipamentos antigos no meio da principal rua comercial. Há contêineres no meio da rua comercial. O porto conversa com a cidade e isso é legal trazer para Santos, para seu Centro. Aqueles guindastes antigos do Valongo têm muito mais valor colocados no meio de Santos do que se mantidos no cais. Eu preciso manter o cais operacional”.

Eventos esportivos também entram na lista de ações da Docas. No próximo sábado (dia 1º), haverá uma regata em comemoração aos 128º aniversário do Porto de Santos. Já no domingo (dia 2), está prevista uma corrida de 5 quilômetros pelas vias do Centro Histórico santista.

Compromisso social é destacado por prefeito

Responsabilidade social e compromisso com a população são dois pontos destacados pelo prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), para a melhoria da relação Porto-Cidade. Para ele, o diálogo deve ser ativo para o avanço do Município e o crescimento do cais santista, que é o maior segmento econômico da região.

O Porto de Santos é responsável por mais de 60% do Imposto Sobre Serviços (ISS) arrecadado na Cidade. Cerca de 33% do Produto Interno Bruto (PIB) passa pelos terminais santistas. Para o prefeito, estas instalações devem contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população.

“Modernizamos a legislação e, hoje, os grandes investimentos na Cidade estão sendo feitos com recursos privados do setor portuário. As empresas têm investido para a construção de escolas, policlínicas e ações de Educação e cunho social. Em meu ponto de vista, além de ser justo, é necessário, pois essas empresas produzem aqui, têm lucros aqui e também devem ter esse olhar social para as pessoas que vivem em nossa Cidade”, destacou.

Por fim, o pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) pelos terminais é visto como uma das conquistas importantes para a Cidade, segundo Barbosa. “Enfrentamos alguns interesses corporativos e conseguimos garantir um direito de Santos que, em meu ponto vista, é algo justo”.

Redução de impactos encurta distâncias

Investimentos em infraestrutura para a redução dos impactos da operação portuária na Cidade, formação de mão de obra qualificada e conscientização da população sobre a importância do Porto de Santos para a economia e o desenvolvimento da região. Para especialistas no setor, estas são as estratégias para a melhoria da relação Porto-Cidade.

O economista e consultor portuário Fabrizio Pierdomenico aponta o Porto como a mola propulsora da Cidade. Além da geração de empregos e riquezas, o especialista destaca a projeção mundial de Santos em função de seu cais. Para ele, é preciso que a população conheça essa pujança. Iniciativas como os projetos Conheça Porto e Porto Profissões, de A  Tribuna, são alguns exemplos de ações eficientes de conscientização.

O grande passo para uma boa relação é fazer reflexão sobre o que o Porto traz de bom. Todo mundo deve conhecer alguém que trabalha no Porto ou em alguma atividade de apoio, agência, fornecedor, em toda a cadeia produtiva”.

Já o economista e professor universitário Helio Hallite destaca a necessidade de formação de mão de obra qualificada e solução dos gargalos de infraestrutura que atrapalham a vida da população. Ele aponta a necessidade de criação de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE) para a geração de empregos.

“Municipalidade e Autoridade Portuária deveriam avançar na implantação de um novo modelo de relacionamento que promova investimentos e reflexos na geração de empregos”.

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