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Domingo

26 de Janeiro de 2020

Admirador de navios registra embarcações em Santos e tem mais de 23 mil seguidores

Leandro Bastos fotografa no Deck dos Pescadores, na Ponta da Praia, desde 2011. O hobby lembra os passeios de domingo com o pai na sua infância

"De segunda a segunda, faça chuva ou faça ou faça sol, todo dia estou no Deck dos Pescadores, na Ponta da Praia, tirando foto dos navios". É assim que há oito anos, o operador de empilhadeira Leandro Bastos da Silva, 34, alimenta a sua página no Facebook Navios de Santos com mais de 23 mil seguidores. Antes ou depois de entrar em seu turno em uma empresa do Porto de Santos, ele vai para o local registrar as embarcações. Pela sua conta, já são cerca de 3.800 fotos publicadas de navios diferentes.

Todos os cliques de Leandro são motivados por sua admiração de ver o passar das embarcações. Ele conta que antes de criar a página, em dezembro de 2011, trabalhava em um supermercado, e desde aquela época, nas horas vagas, corria para avistá-las. "Gosto de ficar lá (na Ponta da Praia), ver aqueles 'bichão' passando. Fico impressionado! É um peso danado e não afunda", comenta impressionado.

Leandro posta as fotos dos navios em sua página. (Foto:Navios de Santos/Reprodução Facebook ) 





No início, ele registrava as embarcações com uma câmera, agora ele conta com o equipamento mais moderno e com um drone. O simples hobby do profissional se transformou em atrativo para muitos amantes do mar. Os 23 mil seguidores encheram a página no Facebook, e ele teve que criar a Navios de Santos II e a III.

"Estou pensando em criar uma fã page para caber todo mundo. Eu  fiquei surpreso em ver tanta gente acompanhando a página. Eles incentivam bastante, perguntam informações dos navios, principalmente quando é da Marinha. O pessoal me manda mensagem também,  só que as vezes é tanta gente que eu não consigo responder", explica.

O passa-tempo de Leandro começou na infância, e se parece com a de muitos outros santistas: nos passeios com o pai, ele via os navios passando pela Ponta da Praia, com direito a fotos do momento.

Passatempo é presente na vida de Leandro desde a infância. (Foto:Arquivo Pessoal)

"Geralmente sentávamos na mureta, e na hora da passagem do barco, meu pai tirava a foto com a embarcação de fundo”, explica.  A paixão pelos navios não tem um motivo específico, mas é o elo que liga a dupla familiar até hoje. Quando Leandro não consegue ir registrar as embarcações, o pai Oswaldo Bastos da Silva, de 65 anos, vai de boa e espontânea vontade.

"Uma vez não consegui tirar foto do navio (para colocar na página) porque tinha que trabalhar, então pedi para o meu pai. Isso aconteceu há uns 7 anos, e, desde então, não parou mais. Quando eu não consigo ir, por causa do turno do meu trabalho, ele vai. É um hobby de revezamento". Leandro conta que o pai  é um metalúrgico aposentado, e na época do ocorrido, ele já tinha parado de trabalhar. Para ele, além de ajudá-lo com a página, o pai se beneficia, pois é um motivo para sair de casa.

Leandro ainda mantém o hobby de tirar fotos de navio com o pai. (Foto:Arquivo Pessoal) 



 

Publicações

Com a ajuda do pai, Leandro consegue disponibilizar fotos todos os dias na página. Quando publica o registro, também coloca algumas informações como tamanho, largura, capacidade e bandeira dos navios. Quando o público pede mais detalhes, ele orienta para que visitem o blog Navios de Santos & CIA,  outra plataforma que também alimenta. Tudo isso é possível com a ajuda da internet, onde consegue as informações de quando as embarcações chegam.

"Acesso o site do Porto de Santos, da praticagem e vejo as escalas. Também acompanhamos pelo rastreamento de AIS, assim temos uma base antecipada de quais navios podem vir pra cá. Quando está perto da data de passar por aqui, fico de olho na praticagem para ver onde ele vai escalar", explica.

Leandro também disponibiliza dados da embarcação em sua página.(Foto: Reprodução Facebook)


Além do auxílio da internet, Leandro mantém contato com outros amantes de navios, conhecidos como shiplovers. Ele conheceu pessoas da região, em 2012, que também reservam uma hora da semana para registrar as embarcações. Desde então, mantém contato.

 "Troco mensagem no grupo do whatsapp com o pessoal da região e de outros portos, como do Rio de Janeiro, de Paranaguá. É bem legal, a gente troca informações e nos encontramos também" .

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