Abastecimento de navios cresce 28% e Porto de Santos bate recorde

Marca registrada pelo Porto no mês passado foi a maior desde 2011

O aumento na movimentação de granéis sólidos de origem vegetal no Porto de Santos forçou um recorde no fornecimento de óleo bunker, o combustível de navios, no terminal operado pela Transpetro, na Alemoa, no complexo santista. No mês passado, 190 mil toneladas do produto foram fornecidas, um volume 28% maior do que o verificado em agosto de 2019. 

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Segundo a Petrobras, foi a maior quantidade de bunker já entregue desde abril de 2011. No mês passado, foram mais de 250 operações de abastecimento realizadas no cais santista. 

“O aumento da quantidade (de bunker) vendida deve-se principalmente pelo acréscimo na quantidade de navios de granel sólidos que acessaram o Porto de Santos nesse mês (no último mês), em função da exportação de grãos, mas que só foi possível devida à alta qualidade e competitividade do bunker produzido pela Petrobras”, informou a empresa, em nota. 

A Autoridade Portuária de Santos (novo nome da Codesp) ainda não consolidou os dados sobre a movimentação de cargas em agosto. Mas, para se ter uma ideia do volume de granéis sólidos operados no cais santista, apenas em julho, 7,6 milhões de toneladas de grãos deixaram o País pelo complexo, crescimento de 7% em relação ao mesmo mês de 2019. 

Os números do primeiro semestre somam 44,5 milhões de toneladas de granéis sólidos operados. A marca impulsionou os recordes operacionais do Porto registrados mesmo durante a pandemia de covid-19. 

Segundo o diretor-executivo do Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar), José Roque, os graneleiros que atracam em Santos abastecem e seguem viagem para o destino final, sem outras paradas. Por este motivo, a operação é tão importante para a logística dessas embarcações. 

“Realmente, tem aumentado o volume das commodities. E esses navios enfrentam longa viagens, que podem variar entre 35 e 40 dias para a Ásia, por exemplo. Então, é fundamental garantir o abastecimento em Santos porque não há outras escalas”, disse Roque. 

Para a Petrobras, o recorde operacional “reforça a capacidade de atendimento e a competitividade da empresa neste segmento, no qual compete com fornecedores que operam nos principais portos do mundo, dentre eles Singapura, Roterdã, Gibraltar e Houston”. 

Processo

O combustível usado no abastecimento dos navios que atracam em Santos fica armazenado em tanques da Transpetro, na Alemoa (Santos), e em Cubatão. As unidades são interligadas por cinco dutos – cada um com dez quilômetros de extensão. Com essa rede, eles ainda se conectam à Refinaria Presidente Bernardes (Cubatão). 

Para que um navio seja abastecido, seus consignatários (os armadores ou os agentes de navegação) fazem uma solicitação ao terminal. O pedido tem de ser apresentado com 7 a 10 dias de antecedência. 

O combustível é embarcado por uma mangueira que liga os tanques do navio a ser abastecido aos tanques da embarcação da Transpetro. Se for uma das barcaças, são necessárias de três a seis horas para concluir a operação. Se for o navio Amalthia (de maior capacidade), o trabalho chega a 12 horas.

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