2021, o ano que definirá o futuro do Porto de Santos

Para o presidente do Sopesp, negociações sobre a desestatização e a vinda de navios maiores à região vão marcar os próximos 12 meses

Novos recordes de movimentação de cargas, discussões intensas sobre o processo de desestatização da Autoridade Portuária de Santos e, ainda, a viabilização da chegada de navios maiores ao cais santista. Estas são as expectativas do presidente do Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp), Regis Prunzel, para o próximo ano. Para o executivo, a vacinação da população contra a covid-19 será o fator determinante para o alcance dos objetivos em 2021. 

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Segundo dados da Autoridade Portuária de Santos, estatal que administra o complexo marítimo, cerca de 145 milhões de toneladas de mercadorias devem ser movimentadas neste ano no cais santista. Para Prunzel, a marca deve ser comemorada por conta do cenário atípico causado pela pandemia, que exigiu negociações intensas com trabalhadores, além da adoção de medidas de prevenção em meio à crise. 

“Ao longo de 2021, a estimativa é muito parecida com o que a gente movimentou em 2020. Devemos ter um movimento parecido, um pouco superior, mesmo com cenário de indefinição em relação à vacina. Em 2020, nós fomos bem com todos os protocolos que foram adotados pela comunidade portuária – os intervenientes, autoridades, empresas. Fomos bem no alinhamento estratégico para enfrentar a covid”, destacou o presidente do Sopesp.

Essas ações devem ser intensificadas no próximo ano. O plano do Sopesp prevê mobilizações e pedidos para a vacinação de trabalhadores portuários em grupos prioritários, já que exercem atividades essenciais. “É um desejo, a gente tem que trabalhar, fazer os pedidos, mas é uma decisão muito mais técnica do que só de desejo”. 

Ainda sobre os portuários, o presidente do Sopesp revela que os operadores querem criar uma agenda de discussões com o novo presidente do Sindicato dos Estivadores de Santos e Região (Sindestiva), Bruno José dos Santos. O novo representante da Estiva tomará posse no mês que vem e se mostrou aberto ao diálogo com os operadores.

Desestatização

2021 será um ano decisivo no processo de desestatização da Autoridade Portuária de Santos. A expectativa do Governo Federal é de que o modelo de concessão seja definido neste ano. Antes disso, porém, será aberto um período de consulta pública para a contribuição da sociedade. “A desestatização é uma ação que vai exigir acompanhamento. É um desafio estar presente, participar das discussões, seguir o que a gente entende que o setor precisa”, afirmou Prunzel. 

Entre essas necessidades do Porto de Santos, o presidente do Sopesp aponta a viabilização da chegada de navios maiores - com 366 metros de comprimento - ao cais santista. Hoje, as maiores embarcações que entram no Porto têm 340 metros e atracam com restrições, dependendo de condições como ventos, visibilidade e corrente marítima. 

“É importante fazer sair do papel que o Porto de Santos tem capacidade de trazer navios maiores sem afetar os menores. Isso significa geração de emprego e atração de carga”, destacou Prunzel. “É algo que não pode ser feito de forma rápida, mas não podemos deixar de fazer”. 

Neste contexto, para o presidente do Sopesp, é fundamental planejar as operações futuras do Porto de Santos. O objetivo é preparar o complexo para a demanda anual projetada de mais de 200 milhões de toneladas nos próximos anos.

Sopesp escolherá diretoria no dia 14

No próximo dia 14 de janeiro, representantes das empresas que atuam nos embarques e nos desembarques de cargas no Porto de Santos se reunirão para definir a nova diretoria do Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp), inclusive o próximo presidente. O novo mandato irá de 2021 a 2023. 

No total, oito terminais do cais santista indicarão os executivos que irão participar do conselho diretor da entidade. ADM do Brasil, Brasil Terminal Portuário (BTP), Ecoporto Santos, Elevações Portuárias, Rodrimar, Santos Brasil, Terminal Exportador de Guarujá (TEG) e Terminal Marítimo de Guarujá (Termag) terão cadeira na diretoria do Sopesp. 

Já o conselho fiscal será formado por três empresas. Bandeirantes Deicmar Logística Integrada, Citrosuco e Terminal 12A terão membros titulares.

Já os suplentes serão representantes do Terminal XXXIX, da Rishis Empreendimentos e da Companhia Auxiliar de Armazéns Gerais, a Copersucar. 

De acordo com o presidente do Sopesp, Regis Prunzel, o novo comandante da entidade terá desafios que vão além das operações portuárias. Uma das questões envolve a mobilidade urbana e a polêmica envolvendo a ligação seca entre as duas margens do Porto de Santos. 

Enquanto o Governo do Estado defende a construção da ponte projetada pela Ecovias, a concessionária que administra o Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI), o Governo Federal e a Autoridade Portuária querem um túnel submerso como alternativa para ligar as duas margens do cais santista. 
“O Sopesp não é contra nem a ponte e nem o túnel. O que precisamos é ter opções seguras, que não inviabilizem as operações. Se for túnel, ótimo também”, afirmou Régis Prunzel. 

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