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Quarta-feira

21 de Agosto de 2019

João Doria pode acabar com a Dersa e outras cinco estatais

Durante posse, governador falou sobre enxugamento da máquina pública com um "amplo programa de desestatização"

O governador eleito João Doria (PSDB) tomou posse nesta terça-feira (1º) com discurso de eficiência e enxugamento da máquina pública. Ele atacou a velha política, inclusive cobrando renovação do próprio partido, e assinou as primeiras medidas de sua gestão. Entre as providências iniciais, está o projeto de lei que permite ao Governo do Estado extinguir, fundir ou incorporar a Dersa e outras cinco estatais.

O dia começou na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), com Doria e o vice-governador eleito, Rodrigo Garcia (DEM), sendo empossados para o mandato com duração até 2022.

Os dois, ao lado das esposas, depois seguiram para o Palácio dos Bandeirantes e foram recebidos pelo ex-governador Márcio França (PSB). Doria venceu o socialista no 2º turno das eleições com 51% dos votos válidos.

França cumprimentou os eleitos e entregou a eles a bandeira do estado. O novo chefe do Executivo passou pelo hall nobre e entrou no auditório Ulysses Guimarães, onde ocorreu a cerimônia de posse dos secretários estaduais.

“Nós não temos um time de secretários, temos uma seleção”, elogiou Doria, no início de seu discurso de 17 minutos no Palácio dos Bandeirantes.

Dentre os escolhidos para o governo Doria estão nove ex-integrantes da gestão Michel Temer (MDB) na Presidência.

No auditório Ulysses Guimarães, ocorreu a cerimônia de posse dos secretários estaduais do novo governo (Foto: Alexsander Ferraz/AT)

Iniciativa privada

Na fala a convidados e jornalistas, o governador Doria reafirmou o objetivo de “desenvolver um amplo programa de desestatização, criando parcerias público-privadas e fazendo concessões e privatizações para melhoria do atendimento à população”. “Vamos privatizar tudo que for possível e legal”.

Uma das primeiras medidas tomadas ontem é o envio de um projeto de lei à Alesp que autoriza o Governo do Estado a extinguir ou unir seis estatais, entre elas a Dersa, responsável pela travessia marítima no litoral.

“O setor privado passará a ter papel que nunca teve no Estado de São Paulo e, com isso, vamos liberar o governo para atender os mais pobres na educação, na saúde, na segurança pública, na geração de empregos, na criação de habitações populares e na assistência social”.

Doria defendeu que, passada a eleição, é hora de governar sem partidarismo ou ideologia. Ele repetiu diversas vezes no discurso que o Estado de São Paulo pode liderar a recuperação do Brasil com uma “nova política”.

“O meu partido não vai virar as costas para os brasileiros. Os partidos, como os governos, precisam de novos posições, compromissos e projetos e terem coragem de mudar e de sintonizarem-se com o mundo de hoje. O PSDB irá mudar”.

Ausência

Secretário da Casa Civil, o ex-ministro Gilberto Kassab não compareceu à posse. Ele está envolvido em polêmica por ter sido alvo de uma operação da Polícia Federal em 19 de dezembro, depois de uma delação do grupo J&F acusá-lo de receber propina da empresa.

Em entrevista coletiva, o vice-governador alegou que as posses podem ocorrer até hoje e disse que Kassab irá pedir licença após ser nomeado “para que possa se defender do que está sendo acusado”. Garcia negou que a presença de Kassab na cerimônia de ontem seria um constrangimento para o novo governo.

Questionado sobre a ausência do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que antecedeu Márcio França e também não apareceu na cerimônia, o vice não respondeu.

Doria não deu entrevista porque, depois do cerimonial, atendeu milhares de convidados e viajou a Brasília para participar da posse do presidente Jair Bolsonaro.

Porto

Ao empossar seu secretariado, no Palácio dos Bandeirantes, Doria frisou que vai desestatizar, privatizar tudo o que for possível no Estado. E defendeu a privatização do Porto de Santos e da Ceagesp. O Governador assegurou que “o setor privado vai cumprir um papel muito importante” em seu governo. Falou em criar Parcerias Público-Privadas (PPPs), fazer concessões e privatizações “sem medo de cara feia sem medo de bandeiras vermelhas”.