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Domingo

17 de Fevereiro de 2019

Aliança entre Brasil e EUA respalda ação na Venezuela

Nas conversas, os americanos sugeriram que o Brasil pode ajudar a fazer os militares venezuelanos passarem a apoiar Juan Guaidó

A aproximação do governo de Donald Trump com o de Jair Bolsonaro faz com que os EUA tenham no Brasil o respaldo regional para endurecer a política contra o regime de Nicolás Maduro. Em visita nesta semana a Washington, o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, reuniu-se com o alto escalão do governo americano para apressar a transição na Venezuela.

Nas conversas, os americanos sugeriram que o Brasil pode ajudar a fazer os militares venezuelanos passarem a apoiar Juan Guaidó e, assim, contribuir para a queda de Maduro. A ideia dos americanos é que a entrada de ajuda humanitária comece a escancarar no país as duas realidades que se apresentam: a de miséria, com Maduro, e a de alimentos, remédios e prosperidade. Para selar a aproximação com os EUA, o Brasil precisa preparar a logística para auxiliar na chegada de ajuda americana.

Para Benjamin Gedan, ex-diretor para América do Sul no Conselho de Segurança Nacional dos EUA e atual integrante do programa de América Latina do centro de estudo Wilson Center, o Brasil pode ter um papel importante de apoio aos EUA caso o governo decida por algum tipo de intervenção na Venezuela. Segundo ele, a opção é improvável, mas não impossível, e os EUA não fariam nada sem apoio regional. Por isso, ter o Brasil como aliado ao lado da Colômbia é relevante.

Araújo disse que não existem conversas sobre opção militar nos EUA nem sobre imposição de novas sanções. Com Mike Pompeo, John Bolton e o senador Marco Rubio, assegurou o comprometimento do Brasil na mesma agenda americana de pressionar pela transição.