Robinho foi condenado na Itália a nove anos de prisão e cumpre a pena no Brasil (Reprodução/X) No mesmo mês em que começa a Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos, México e Canadá, e em que se completam 20 anos de sua estreia pela Seleção Brasileira, o ex-jogador Robinho tenta avançar para um regime prisional mais brando. Preso desde março de 2024, ele aguarda uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre pedido que pode permitir a progressão do regime fechado para o semiaberto. Antes disso, o ex-jogador teve mais um pedido de habeas corpus negado (Veja mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Robinho estreou em Copas do Mundo no dia 13 de junho de 2006, aos 22 anos. Na ocasião, entrou em campo no segundo tempo da vitória do Brasil por 1 a 0 sobre a Croácia, na Alemanha, substituindo Ronaldo. Naquele Mundial, o atacante participou de quatro partidas e viu a Seleção ser eliminada pela França nas quartas de final. Quatro anos depois, na Copa da África do Sul, Robinho voltou a disputar o torneio e marcou dois gols com a camisa brasileira. Novamente, porém, o Brasil foi eliminado nas quartas de final, desta vez pela Holanda. Agora, duas décadas após a primeira participação em Copas, o ex-atleta aguarda o julgamento de um pedido protocolado no STF para retirar o caráter hediondo da pena de nove anos de prisão, que cumpre no Brasil por estupro coletivo cometido na Itália. Pedido ao STF Conforme noticiado por A Tribuna, a solicitação foi reapresentada ao STF na semana passada, na segunda-feira (1º), pelo advogado Bruno Dias Cândido. A mesma tese já havia sido protocolada em novembro de 2025 pela defesa anterior de Robinho. A defesa sustenta que a condenação imposta pela Justiça da Itália foi por crime comum, sem a classificação de crime hediondo. Os advogados argumentam que, ao homologar a execução da pena no Brasil, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) deveria apenas decidir sobre o cumprimento da sentença estrangeira, sem alterar sua natureza jurídica. Na ocasião, o STF fundamentou que o estupro é classificado como crime hediondo pela legislação brasileira e que afastar essa qualificação durante a execução da pena no país violaria a ordem pública nacional e o princípio da isonomia em relação aos demais condenados pelo mesmo delito. No pedido encaminhado ao Supremo, Cândido e outros dois advogados afirmam que não buscam privilégio ou impunidade, mas que a pena seja executada no Brasil exatamente nos moldes definidos pela Justiça italiana. Caso a solicitação seja aceita pelo ministro Luiz Fux, relator do caso, Robinho poderá solicitar a progressão para o regime semiaberto. Impacto na progressão de regime A discussão tem impacto no tempo necessário para a progressão de regime. Em crimes hediondos, réus primários precisam cumprir dois quintos da pena antes de solicitar a mudança para um regime mais brando. No caso de Robinho, isso representa cerca de três anos e sete meses de prisão. Caso o STF acolha o pedido da defesa e reconheça a pena como crime comum, a progressão poderá ocorrer após o cumprimento de um sexto da pena, equivalente a aproximadamente um ano e cinco meses. Como está preso desde março de 2024, Robinho já ultrapassou esse período e poderia solicitar a transferência para o regime semiaberto, desde que haja autorização judicial. Habeas corpus rejeitado A Tribuna apurou que, enquanto aguarda a análise do novo pedido, Robinho obteve uma derrota recente no Supremo, após Luiz Fux rejeitar outro pedido de habeas corpus relacionado ao caso. A ação havia sido apresentada no dia 29 de maio por um particular sem procuração e pedia a suspensão da execução da pena e a soltura de Robinho. Na decisão, o ministro considerou que o ex-jogador já possui defesa técnica constituída e que não caberia a atuação de terceiros no processo. Condenação por estupro coletivo Robinho foi condenado definitivamente pela Justiça italiana em 2022 por participação em um estupro coletivo ocorrido em janeiro de 2013, em uma boate de Milão, quando defendia o Milan. Segundo a investigação, Robinho e outros homens abusaram sexualmente de uma jovem albanesa que comemorava aniversário no local. O caso foi analisado em três instâncias da Justiça italiana, que mantiveram a condenação de nove anos de prisão. Como o Brasil não extradita cidadãos brasileiros natos, a Itália solicitou que a pena fosse cumprida em território nacional. Em março de 2024, o STJ autorizou a execução da condenação no Brasil. Prisão e transferência Robinho foi preso pela Polícia Federal (PF) em um apartamento na Ponta da Praia, em Santos, no litoral de São Paulo, em março de 2024. Inicialmente, ele cumpriu pena na Penitenciária II de Tremembé, conhecida como "Presídio dos Famosos". Em novembro de 2025, foi transferido para o Centro de Ressocialização de Limeira após pedido da defesa. Carreira interrompida Revelado pelo Santos, Robinho conquistou dois Campeonatos Brasileiros, uma Copa do Brasil e dois títulos paulistas pelo clube. Também atuou por equipes como Real Madrid, Manchester City, Milan e Atlético Mineiro. Em 2020, quando tentava retornar ao Santos, teve a contratação suspensa após a repercussão das condenações e da divulgação de trechos das investigações italianas. Hoje, aos 42 anos, o ex-jogador vive uma realidade distante daquela de junho de 2006. Enquanto a Seleção Brasileira se prepara para mais uma disputa do torneio, Robinho aguarda uma decisão do STF que poderá definir os próximos passos do cumprimento de sua pena.