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Terça-feira

22 de Janeiro de 2019

Polícia investiga movimentação suspeita em conta do filho da ex-prefeita Telma de Souza

Segundo averiguação, R$ 55 mil desviados de uma transportadora, de Minas Gerais, foram depositados na conta do comerciante Walter de Souza Leite

Equipe do Departamento de Fraudes, da Polícia Civil de Minas Gerais, investiga o desvio de quase R$ 500 mil de uma transportadora e realizou, nesta quarta-feira (10), diligência em Santos, porque R$ 55 mil foram parar na conta do comerciante Walter de Souza Leite, filho da vereadora e ex-prefeita santista Telma de Souza (PT).

Com sede naquele estado, a transportadora sofreu o golpe de uma quadrilha especializada em fraudes bancárias. Passando-se por funcionário do banco no qual a empresa tem conta, um estelionatário solicitou por telefone dados da pessoa jurídica para fins de atualização de cadastro.

Acreditando estar conversando com um representante da instituição financeira, um empregado da transportadora divulgou informações que possibilitaram aos golpistas realizar o desfalque na conta da empresa, por meio de transações realizadas pela internet.

Chefe do Departamento de Fraudes, o delegado Júlio Wilke determinou a dois investigadores e um escrivão de sua equipe que viessem a Santos para ouvir Walter. Dono de um estacionamento no Gonzaga, o filho da vereadora foi um dos beneficiados com o recebimento de dinheiro transferido de forma ilícita da conta da transportadora.

O comerciante depôs pela manhã aos policiais mineiros na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Santos e liberado. Ele não revelou o destino dado aos R$ 55 mil repassados para a sua conta. A apuração prossegue para ouvir outros beneficiados com a fraude, que são “vários”, conforme disse um policial, sem especificar o número.

O mesmo investigador salientou a Telma de Souza que o filho dela não é obrigado a revelar quem supostamente o convenceu a permitir a transferência do dinheiro para a sua conta. Também não precisa contar qual destino deu aos valores e quanto eventualmente teria recebido.

Porém, ainda conforme o policial, se o comerciante colaborar com a investigação fornecendo o seu extrato bancário e outros dados, isso poderá favorecê-lo. Por fim, o policial esclareceu que informações necessárias ao inquérito policial, caso sejam sonegadas, serão requeridas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), por intermédio da Justiça.

Irá colaborar

Telma enviou nota para A Tribuna à tarde. Segundo ela, o filho “está colaborando prontamente com as autoridades policiais para o perfeito esclarecimento dos fatos, fornecendo, inclusive, o seu extrato bancário e telefônico”. O comunicado salienta que “os fatos apurados não possuem relação alguma com o mandato ou a pessoa da vereadora Telma de Souza”.

O advogado Alex Sandro Ochsendorf foi constituído por Walter. Segundo ele, o cliente optou por nada informar em depoimento aos policiais mineiros, porque preferiu fornecer documentos com tais dados. “Encaminharemos à autoridade policial petição com os extratos bancário e telefônico do comerciante”, garantiu o defensor.