O caso gerou forte repercussão nas redes sociais após internautas apontarem riscos à fauna e aos frequentadores da região (YouTube/ Piloto Diego Higa) A Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), abriu um processo administrativo para investigar uma possível infração ambiental cometida pelo piloto de drift Diego Higa, que publicou um vídeo realizando manobras arriscadas na Estrada de Manutenção da Rodovia dos Imigrantes, uma via utilizada por ciclistas e pedestres entre São Paulo e Santos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! As imagens, publicadas em 7 de setembro, mostram o piloto conduzindo um Nissan 350Z em alta velocidade, derrapando e levantando fumaça em uma área de mata. No registro, Higa comenta as condições do percurso e admite ter ultrapassado limites durante o teste do carro. “O asfalto, vocês viram, é perigoso porque hora está seco, hora está molhado. Com essa neblina impedindo a visibilidade, fica mais perigoso ainda. Mas, Zetinha, o nosso guerreiro, está testado e aprovado. (…) Passamos um pouco do limite, a gente sempre passa um pouco, mas foi top”, disse o piloto. O caso gerou forte repercussão nas redes sociais após internautas apontarem riscos à fauna e aos frequentadores da região. A vereadora paulistana Renata Falzoni (PSB), ativista da mobilidade sustentável, criticou duramente a ação. “Alta velocidade e manobras perigosas. Uma farra. Sem falar no barulho, na poluição dentro de uma reserva de Mata Atlântica”, afirmou. “Agora, imagina se, em uma dessas manobras arriscadas, o piloto topa de frente com um ciclista, um caminhante ou mesmo um dos vários animais que a gente vê de montão por ali”, acrescentou a parlamentar, que encaminhou um ofício à Fundação Florestal. “Invadir a trilha com carros não é ousadia, é crime”, completou. -Veja o vídeo (1.482768) Apuração ambiental Em nota, a Semil informou que a Fundação Florestal instaurou um processo para apurar o episódio. “A conduta observada está sendo analisada conforme a legislação ambiental vigente, com vistas a caracterizar eventuais responsabilidades administrativas”, diz o comunicado. O órgão explicou ainda que, embora a Estrada de Manutenção não esteja dentro dos limites do Parque Estadual da Serra do Mar, qualquer atividade que cause impacto indireto à unidade de conservação — como ruído excessivo, perturbação da fauna ou dano a recursos hídricos — também é considerado infração ambiental e pode resultar em sanções. Infração de trânsito Além da esfera ambiental, a manobra mostrada nas imagens configura infração gravíssima de trânsito. Conforme o artigo 175 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), utilizar o veículo para manobras perigosas, como derrapagens e arrancadas bruscas, acarreta em multa multiplicada por dez, suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), apreensão e remoção do veículo. O Detran-SP reforçou que a penalidade é dobrada em caso de reincidência no período de 12 meses e lembra que o drift só deve ser praticado em locais autorizados e sob supervisão técnica, por representar risco tanto ao condutor quanto a outras pessoas.