Idoso de 75 anos andava de bicicleta quando foi atropelado em Itanhaém (Reprodução) O motorista de um SUV que atropelou e matou um ciclista de 75 anos em Itanhaém, no litoral de São Paulo, é procurador federal e recebe salário de R\$ 34.897,04, conforme a atualização mais recente dos dados do Portal da Transparência. A família da vítima, o aposentado e catador de latinhas Walter Pereira Dias, contesta o depoimento do condutor dado à Polícia Civil e ressalta que a avenida onde ocorreu o acidente é tranquila e tem 12 metros de largura. “Não tinha por que o ‘cara’ passar por cima dele”, afirma o genro Ronaldo Alves, de 43 anos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O atropelamento aconteceu na Avenida Walter Apelian, no bairro Gaivota, na manhã de terça-feira (25). O genro da vítima conversou com A Tribuna pouco antes do velório e enterro, que aconteceram na quarta-feira (26). “Ele não era um sogro, era um pai para mim”, desabafa Ronaldo. Ele viu o idoso caído e ensanguentado após o acidente e chegou a ir para cima do motorista, o que motivou os policiais militares a impedirem a confusão. O aposentado atropelado complementava a renda catando latinhas nas praias de Itanhaém e havia saído para comprar pão quando foi atingido pelo carro do motorista de 56 anos. O idoso morreu no local. Eu cheguei lá e de momento eu não reparei [que era ele porque o rosto estava coberto de sangue. Aí veio na minha memória como um raio: meu sogro cortou o cabelo assim ontem, a bermuda também é igual. Quando eu olhei para ver a bicicleta, eu entrei em desespero na rua”, relata Ronaldo. O genro conta que o atropelamento ocorreu cerca de 15 metros da casa dele, enquanto ele tomava banho. O plano era levar a família, incluindo o sogro, para almoçar na casa de um cunhado. Walter, que morava na mesma vizinhança do genro, deixou a esposa, que dependia financeiramente dele, quatro filhos e seis netos. “Ele era a estrutura da casa”, diz Ronaldo, casado com a filha do idoso há 25 anos. O idoso é descrito pelo genro como uma pessoa brincalhona e engraçada, que se dava bem com todos que conhecia. Eles eram companheiros nas atividades diárias, como ir ao mercado e receber o pagamento da aposentadoria. “Ele já contou a vida pra mim umas 30 vezes. Em vez de contar pra mim, ultimamente quem contava a vida dele pra ele era eu”, diz. À esquerda, a bicicleta da vítima após o atropelamento. À direita, a imagem mostra o veículo danificado por causa da colisão. (Reprodução/Ronaldo Alves) Família contesta depoimento Na delegacia, o procurador federal prestou depoimento e relatou que conduzia o veículo pela avenida quando, ao chegar no cruzamento com a Rua Santa Catarina, "sentiu uma leve tontura, em razão de sua insuficiência cardíaca". Segundo o boletim de ocorrência obtido por A Tribuna, o idoso de bicicleta “saiu desta rua e adentrou na avenida, entrando na frente do veículo, não tendo tempo hábil de frear ou desviar-se". Por outro lado, as imagens mostram que o idoso já circulava pela Avenida Valter Apelian no momento em que foi atropelado. O motorista mora na mesma vizinhança. A família contesta a versão dele e ainda ressalta que o automóvel não foi periciado. O carro está lá, dentro da garagem, com a família dele dentro de casa como se nada tivesse acontecido”, desabafa Ronaldo. Segundo o relato dado a Polícia Civil, o motorista, após perceber a colisão, parou o carro imediatamente e ligou para a Polícia Militar (PM) e para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. Conforme o motorista, por conta da demora das viaturas, ele optou por levar em casa o filho de 10 anos, que sofre de epilepsia e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). O menino estava agitado por conta do ocorrido e o procurador disse que pretendia retornar ao local para encontrar os policiais. O genro de Walter nega esse retorno. “O carro era a arma do crime, e ele foi embora com o carro e não teve perícia”, diz. Pelas imagens das câmeras de segurança, a família acredita que o motorista estava usando o celular no momento do acidente. “O carro passa na lombada, pega uma velocidade e em vez de desviar dele (o idoso), ele estava com as duas mãos no celular. Não sei se ele estava olhando para baixo, mas o que dá a entender na filmagem é que ele estava mexendo no celular e segurando-o com as duas mãos”, diz Ronaldo. Para A Tribuna, a Polícia Civil informou que o condutor passou pelo teste de alcoolemia, que teve resultado negativo. Foi requisitada perícia no local e nos veículos envolvidos. Na sequência, o automóvel foi liberado ao autor e a bicicleta foi entregue aos parentes do idoso que estavam no local. Segundo o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada pelo próprio motorista do Renault Duster para atender ao acidente. O caso foi registrado como homicídio culposo na direção de veículo automotor pelo 2º Distrito Policial (DP) de Itanhaém. A Polícia Civil segue com as investigações.