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Terça-feira

17 de Setembro de 2019

Falso advogado furta 14 processos e é preso em flagrante

Golpista já está condenado e usava OAB adulterada em nome de profissional de Santos

Condenado a quatro anos de reclusão em regime inicial fechado por uso de documento falso e acusado de furtar 14 processos judiciais de diversos fóruns, o falso advogado Edélcio Milliatti, de 60 anos, foi preso em flagrante no fim da tarde de domingo (9).

Mediante o uso de uma carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em nome de um profissional de Santos, Edélcio conseguiu autorização para a retirada de um processo da Justiça Federal em Santos, mas não o devolveu no prazo estipulado.

Posteriormente, apurou-se que os dados da carteira da OAB são de um advogado que de fato existe. Porém, ela foi adulterada com a fotografia de Edélcio. A Delegacia de Polícia Federal (PF) em Santos foi acionada e instaurou inquérito para apurar o caso.

Segundo o delegado Vilton Gomes de Souza, da PF, as investigações apuraram que o falso advogado valeu-se do mesmo expediente (uso de carteira falsa da OAB) para furtar mais 13 processos da justiça estadual de São Paulo.

Cinco processos foram levados do Fórum de Santos e três do de Iguape. Os fóruns de Guarujá e Bertioga tiveram dois processos furtados cada. O último foi retirado em Ilhabela. Todos eles, incluindo o da Justiça Federal, referem-se a ações de execução fiscal de valores elevados, conforme frisou o delegado da PF.

Falso advogado foi preso em flagrante em um clube, em São Paulo (Foto: Reprodução)

'Honorários'

No rastro do golpista, já condenado pela 20ª Vara Criminal de São Paulo e com mandado de prisão expedido desde 17 de fevereiro de 2017, Vilton de Souza descobriu que ele estaria em um clube de Guaianazes, na Zona Leste da Capital, no domingo à tarde.

A Polícia Civil foi avisada e deu apoio à PF. Ao ser abordado, Edélcio se identificou como advogado e exibiu a carteira falsa da OAB, mas logo foi desmascarado. Conduzido ao 53º DP (Parque do Carmo), foi autuado em flagrante por uso de documento falso e tentativa de estelionato pelo delegado plantonista Roberto Salomão Júnior.

No momento da prisão, o acusado se reunia com sete moradores do bairro. Intitulando-se advogado, ele lhes prometia regularizar a propriedade de terrenos e cobrava honorários para a suposta assessoria jurídica.

No domingo, antes que quantias fossem entregues pelas vítimas a título de honorários, houve a prisão em flagrante. Porém, elas contaram que já haviam pago valores ao falso advogado em reunião anterior.

Os moradores demonstraram surpresa quando Edélcio foi preso. Eles disseram que não desconfiaram do acusado, porque ele sempre se portou de modo compatível com o de um advogado, seja pelo vocabulário utilizado, seja pelo modo de se vestir.

O advogado cujo nome foi indevidamente usado por Edélcio na tentativa de estelionato e nos furtos dos processos foi ouvido no inquérito da PF em Santos. Ele discorreu sobre os aborrecimentos que sofreu e ainda sofre com a conduta do condenado. Revelou, ainda, que até a sua senha de acesso ao sistema da Justiça Estadual tentaram hackear.