Doria aceita criar comissão externa em investigação de Paraisópolis

Proposta era uma reivindicação de familiares de vítimas da tragédia e de órgãos de direitos humanos

Por: Da Agência Estado  -  05/12/19  -  21:38
Atualizado em 05/12/19 - 22:14
Comunidade de Paraísopolis fica localizada na zona sul de São Paulo
Comunidade de Paraísopolis fica localizada na zona sul de São Paulo   Foto: Arquivo/ Estadão Conteúdo

O governador João Doria (PSDB) vai criar uma comissão externa, formada por membros da sociedade civil, para acompanhar a investigação da operação da Polícia Militar que terminou com nove jovens pisoteados e mortos no baile funk em Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, no fim de semana. A proposta era uma reivindicação de familiares de vítimas da tragédia e de órgãos de direitos humanos, que foram recebidos por Doria na noite de quarta-feira (4).

A reunião aconteceu após centenas de pessoas marcharem de Paraisópolis até o Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, em protesto para pedir apuração rápida da tragédia e também punição aos responsáveis. Por enquanto, a versão sobre os fatos são conflitantes.


A PM relata que o tumulto começou após dois suspeitos em uma moto atirarem contra policiais e irem se esconder no baile funk. Já os moradores afirmam que foi a própria PM que teria provocado a tragédia ao tentar realizar uma dispersão truculenta no pancadão. Na segunda-feira (2), a gestão Doria decidiu afastar das ruas seis policiais militares que participaram da ação.

"A comissão externa e independente é a nossa conquista mais importante até o momento", diz Dimitri Sales, presidente do Conselho Estadual de Defesa da Pessoa Humana (Condepe), um dos participantes do encontro. "É uma forma de assegurar que a investigação vai a fundo e não ficará restrita a corporativismos ou nenhuma pressão externa".

Segundo Sales, a comissão vai poder requerer intimação de testemunhas para ser ouvidas no inquérito e também fazer análise de relatórios produzidos pela investigação policial - o caso é apurado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil, e pela Corregedoria da PM. Outras prerrogativas serão convidar especialistas para discutir laudos e até mesmo sugerir quesitos que devem ser respondidos nas perícias. "A sociedade passa a ser um sujeito ativo no processo investigatório", afirma.

De acordo com Sales, a comissão será formada por um representante da família de cada vítima, além de dois líderes comunitários e de representantes do Condepe e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) - órgãos que estavam presentes no encontro. O nome dos representantes ainda não foi definido.

A reunião no Palácio dos Bandeirantes durou cerca de duas horas e teve a participação, ainda, de integrantes do governo Doria. Entre os presentes, também estava o secretário da Segurança Pública, o general João Camilo Campos, responsável por chefiar as polícias de São Paulo. "No encontro, o Governador ouviu relatos de duas mães que perderam seus filhos e reiterou o compromisso de rigor e transparência em relação à investigação das mortes ocorridas na madrugada de domingo", diz nota do governo.

Uma nova reunião foi marcada para a próxima segunda-feira (9), e a previsão é que representantes de todas as famílias de vítimas participem. Na ocasião, a comunidade também deve apresentar pautas como a "não criminalização do funk" e outras questões de Paraisópolis.


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