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Terça-feira

11 de Dezembro de 2018

Estudantes dão aulas gratuitas de Exatas para meninas de escolas públicas

Projeto 'A menina que calculava' chega a Santos e é voltado para alunos do 8º e 9º anos do Ensino Fundamental II

Uma iniciativa nascida em Brasília, em 2017, chegou a Santos para ajudar alunas de escolas públicas a aprender, de graça, conteúdos de matemática, física, química e biologia. É o projeto 'A menina que calculava', iniciado por uma professora da rede pública brasiliense, Lilah Fialho, que desafiou pelo Facebook mulheres de cursos de Exatas a ensinarem meninas de colégios das redes municipal e estadual.

Quase dois anos depois, o projeto tem mais de 100 voluntárias espalhadas em todo o Brasil. Destas, duas estão na Baixada Santista: Luana Vicentin e Sophia Ramos, alunas do 3º ano do Ensino Médio de uma escola particular da Cidade.

Foi Sophia quem soube primeiro da iniciativa. "Fiquei sabendo por uma amiga e quis trazer para cá. Ele funcionou por um tempo em Cubatão, mas não deu muito certo", conta. 

Luana, então, juntou-se à amiga, e ambas apresentaram a ideia à diretoria e ao grêmio estudantil do Colégio do Carmo, onde estudam. Segundo ela, ambos se interessaram pela ideia, que em maio desse ano passou a ser colocada em prática, com as aulas ocorrendo na própria escola, todas as terças-feiras, das 14h30 às 16h30, para alunas do 8º e 9º anos do Ensino Fundamental II.

"O colégio funciona como um pólo, assim podemos atender a alunas de várias escolas públicas diferentes. Hoje temos quatro alunas no projeto, de duas escolas, mas queremos divulgar mais", diz Luana.

Para ela, a experiência é gratificante, tanto para quem recebe as aulas quanto para quem as aplica. "É muito bom o contato com as alunas e poder ajudá-las de alguma forma", afirma, explicando que uma aluna não precisa ser excelente em Exatas para ensinar.

"Basta aprender o conteúdo e ser um aluno esforçado. Adaptamos o projeto com base nas alunas, montamos as aulas e damos exercícios para que elas aprofundem em casa", diz.

Futuro

A partir de 2019, outras meninas que integram o setor de Educação e Cultura do grêmio estudantil da escola serão as responsáveis pelas aulas, mas as estudantes responsáveis por trazer o projeto continuarão supervisionando e dando todo o respaldo necessário.

O objetivo é incentivar meninas a, quando formadas, se interessarem por cursos superiores na área de Exatas, que é baixo na rede particular, mas menor ainda na rede pública, devido ao ensino deficitário. Exemplos dessa baixa participação são vistos nas salas de aula de cursos como engenharia, física, química, análises de sistema, tecnologia da informação e ciências contábeis.

Alunas interessadas em participar podem entrar em contato pelo e-mail: carmo@carmo.com.br.