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Segunda-feira

20 de Maio de 2019

Educação ainda patina em políticas básicas

Formação e valorização de professores poderiam atrair mais jovens para o ensino público

Apesar de ser apontada como uma das áreas prioritárias para garantir o desenvolvimento do país, a educação brasileira ainda patina em políticas básicas. Entre elas, formação e valorização dos professores. Tanto é que cada vez menos jovens querem estudar para estar à frente de uma sala de aula, principalmente na educação básica.

Uma pesquisa recente da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostra que apenas 2,4% dos alunos de 15 anos têm interesse na profissão. Há dez anos, o percentual era de 7,5%. O estudo aponta, ainda, que a baixa atratividade da carreira está ligada à falta de reconhecimento social e aos salários.

Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram que, do total de ingressantes na formação superior docente, quase metade (49,3%) desiste no meio do curso. Na outra metade, que chega ao final, apenas 54,3% desejam seguir carreira de professor. Os piores percentuais estão nas áres de Ciências Naturais, onde apenas 18,4% dos ingressantes querem ser professores de Física; 18,8%, de Biologia, e 20,5%, de Química.

“São várias questões que compõem esse quadro”, analisa Tereza Perez, diretora presidente da Comunidade Educativa Cedac. Tereza lidera iniciativas para a melhoria das condições de aprendizagem nas escolas públicas. Está à frente de projetos e programas de formação continuada com cerca de 8 mil educadores em 100 cidades.

Na opinião dela, por mais que as pessoas falem que a educação é uma prioridade, pensar em soluções e programas não é, de fato, uma prioridade.

“Com isso, o papel do professor é muito desvalorizado. Desde a escola particular, em que os pais acham que, porque estão pagando, podem mandar em tudo, até as famílias mais vulneráveis de escolas públicas que não tiveram a oportunidade de estudar e acreditam que só de o filho estar na escola já é suficiente”, diz.

Para reverter o cenário, Tereza afirma que, além de realmente encarar a educação como prioridade, é preciso garantir a qualidade da formação dos professores e investir em atividades práticas que os ajudem a enfrentar as salas de aula. “Mas precisamos urgentemente criar mecanismos para tornar a carreira mais atraente do ponto de vista salarial, conseguindo, além disso, atrair os melhores estudantes do Ensino Médio”.

Tereza alerta que os governos precisam ouvir os professores e sindicatos para construir uma proposta conjunta e debater assuntos delicados, como avaliação docente e a corresponsabilidade das universidades.

Universidades oferecem cursos e atividades práticas a alunos

As instituições de Ensino Superior da Baixada afirmam oferecer ações e cursos para incentivar o interesse pela docência. Parcerias que garantam a presença dos estudantes na sala de aula são as principais delas. 

No Centro Universitário São Judas Tadeu – Campus Unimonte, há cerca de 350 estudantes, entre Pedagogia e pós-graduação na área da educação. Além das atividades com escolas, os alunos têm contato com profissionais da área em aulas especiais, bate-papos e palestras na instituição.

Na Universidade Santa Cecília (Unisanta), o número total de formandos em cursos de licenciatura, presenciais e a distância (EaD), foi de 238 em 2016 para 532 em 2018. Um dos incentivos é o programa Residência Pedagógica. Segundo o coordenador do projeto, Fabio Giordano, a ação ocorre em parceria com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e as prefeituras de Santos e São Vicente. A finalidade é dar ao universitário, que recebe bolsa auxílio, a oportunidade de vivenciar o dia a dia das escolas.

Na Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), o curso de Pedagogia passou de 16 para 25 formandos, de 2016 para 2018. Oferecem-se cinco cursos presenciais de licenciatura e 15 na modalidade EaD. Desde o ano passado, também há o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) e o Residência Pedagógica, com bolsas da Capes e da instituição. Ainda acontecem, em média, 20 simpósios anuais, com experiência e visão de especialistas, profissionais e estudantes.

Porém, apesar do resultado positivo em atrair o interesse por algumas áreas, o desafio em outras é grande. 

A Universidade Católica de Santos (UniSantos), por exemplo, oferece sete licenciaturas. O curso de Letras teve alta de 27% de concluintes em relação a 2017 e de 37% quanto a 2016. Mas, no ano passado, o curso de Matemática teve queda de 80% no número de concluintes se comparado a 2017 e 2016. A UniSantos também possui parceria com a Capes para ofertar o Pibid e o Programa Residência Pedagógica.

A Unaerp Guarujá tem cursos de Educação Física e de Pedagogia (EaD). No primeiro, os estudantes participam do Projeto Escola da Bola, para crianças e adolescentes em vulnerabilidade social. 

No curso de Pedagogia EaD, além dos estágios supervisionados, a instituição promove vivências educativas. Os alunos podem desenvolver práticas na oficina da brinquedoteca, com atividades lúdicas, leitura e interação social.