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Quarta-feira

23 de Outubro de 2019

Especialistas comentam a escolha de jovens com experiência para o primeiro emprego

A boa notícia: a contradição pode ser contornada por outras qualidades, dizem profissionais

Uma das fases mais desafiadoras da vida profissional costuma ser, justamente, o início. Em geral, o jovem que acaba de sair do Ensino Médio, do curso profissionalizante ou da universidade tem dificuldades em conseguir o primeiro emprego.  

Algumas das queixas mais comuns desses jovens são em relação à falta de oportunidades e a experiência exigida para os cargos. Eles reclamam de um paradoxo: para conseguir um emprego, pede-se experiência, mas como isso será adquirido, se não lhes é dada essa primeira oportunidade?  

A Tribuna procurou especialistas e empresas para dar exemplos de como driblar essa dificuldade.  

Pesquisar sobre a empresa a qual se candidata e sobre a área de interesse é importante, de acordo com José Venâncio, gerente de Recursos Humanos da Ozonean.  

“Com a internet, isso ficou mais fácil. Se informar sobre a vaga, sobre a empresa, sobre o mercado em que ela atua. Como entrevistador, você valoriza muito quando o candidato está informado”.  

Outra dica, é que cursos profissionalizantes reforçam o currículo mesmo quando não se tem experiência. “São fundamentais, existe uma infinidade de cursos, inclusive muitos gratuitos, que agregam muito ao que você procura”.  

Personalidade   

O alemão Ansgar Pinkowski, gestor de inovação da Fábrica de Startups, conta que as habilidades pessoais podem fazer a diferença na hora de disputar uma vaga.  

“Os jovens precisam pensar no que conseguem se destacar para as empresas. Eles podem ter um currículo mais fraco, mas todos têm uma personalidade, então precisam mostrar qual é a vantagem que trazem para as empresas, considerando isso”.  

Ele chama essas habilidades de soft skills, e aponta que a importância delas na avaliação de candidatos cresce gradualmente.  

“Se hoje olharmos o mercado de trabalho, a formação da pessoa é menos importante. O que as empresas buscam cada vez mais são os soft skills, ou seja, a flexibilidade da pessoa em se adaptar a um ambiente diferente, a resiliência dela, a criatividade, entre outras habilidades”.

Aprendizagem   

Para Ricardo Jacobs, empresário e CEO da Jacob’s Holding, programas como Jovem Aprendiz e Aprendiz Legal são a chave para a introdução no mercado de trabalho.  

“Sem dúvida, esse é o caminho. Ele faz toda diferença na carreira lá na frente, pois vai mudar a cabeça do jovem, criar um senso de independência e prepará-lo ao mercado”.  

O principal fator desses programas é a oportunidade de entrar em contato com o ambiente profissional mais cedo, segundo Jacobs. Ele conta que o preparo para processos seletivos, seja de Jovem Aprendiz ou não, é decisivo. Além disso, se não há experiência passada, o foco deve ser no futuro.  

“Mostrar força de vontade, mostrar que quer aprender e crescer é essencial. Não se pode deixar que a falta de experiência no passado te prenda”.  

Também é positivo demonstrar ambição. Isso quer dizer que o candidato fará de tudo, mas com retidão e caráter, para crescer dentro da empresa. Atitudes como essas são vistas com bons olhos, de acordo com o especialista. 

Oportunidade  

Ana Burnier é chefe de cozinha sócia da PF Animal, empresa que trabalha com alimentação natural para animais domésticos. Ela conta que opta por contratar jovens que não têm experiência profissional para moldá-los ao jeito de sua empresa. 

A profissional afirma que o candidato passa por um treinamento ao ser contratado. “Ele é treinado por uma das sócias, mostrando o passo a passo de cada processo. Em todos, ele será treinado e supervisionado por uma de nós, constantemente”.  

A chefe de cozinha conta que se coloca no lugar de quem está no começo da carreira e incentiva que outros façam o mesmo. “Não é porque a pessoa não tem experiência que ela não tema capacidade de fazer, de aprender. A grande maioria delas não tem experiência profissional, então por que não dar oportunidade para estas pessoas aprenderem, se desenvolverem, já que temos essa disponibilidade?”.  

Isso é o que a motiva: ver pessoas que não eram vistas pelo mercado de trabalho crescerem e se desenvolverem com ela. 

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