Viver Bem: Sou feliz morando sozinho

Mas a liberdade depende de autoconhecimento e de gostar de estar consigo

Ainda visto como tabu ou preconceito, morar sozinho não significa estar só. Que o diga o cabeleireiro e maquiador Marcelo Battaglia e a empresária Débora Martins. 

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Em situações opostas na jornada de viver por si, já que Débora mudou-se recentemente, enquanto Marcelo está há mais de 20 anos vivendo dessa forma, eles são unânimes em dizer que nada lhes falta. Pelo contrário: encontraram a liberdade com que sonhavam e são extremamente felizes sem dividir o teto com mais ninguém.

Na pandemia, eles são os que menos sofreram, já que conviver consigo mesmo era uma realidade antes do isolamento. “Já havia uma rotina de cuidados com a casa sem a presença e ajuda de outras pessoas”, diz a psicóloga e coordenadora do curso de psicologia da Universidade Santa Cecília (Unisanta), Gisela Monteiro.

De acordo com a especialista, o segredo da vida por si está em conhecer-se razoavelmente bem para saber manejar recursos e enfrentar as limitações do dia a dia. 

A psicóloga explica que há uma falta essencial em todos os seres humanos, que causa uma sensação de que precisamos preenchê-la. Saber conviver com essa sensação é o segredo. 

“Essa ideia de abandono é um aspecto cultural bastante questionável. Muita gente escolhe morar só. Se a pessoa que mora só se sente abandonada, é algo a ser compreendido. Somos sós mesmo morando com outras pessoas”, diz.

A empresária Débora Martins, aos 36 anos, mudou-se recentemente para um apartamento de dois quartos, que também se tornou o ateliê de sua empresa de acessórios femininos. 

“Quero ter alguém, casar, mas tudo tem seu ciclo. As pessoas ainda estranham uma mulher que é empoderada, tem seu negócio, mora só, vive bem. Essa mentalidade, de que uma mulher precisa de alguém sempre, ainda está muito enraizada”, afirma.

Battaglia, que vive sozinho há duas décadas, diz que é libertador ser dono de seu destino. “O tempo é seu tempo, já que tudo é baseado em você”, diz ele, que, mesmo vivendo dessa forma há tanto tempo, não escapa dos olhares tortos. 

“As pessoas sempre olham como coitadinho, que não tem ninguém. Mas tem. São os amigos, a família, o crush (paquera) que tá sempre junto, os vizinhos. Mas quando se está sozinho, as coisas fluem até mais. É você e você”, diz.

Segundo Gisela Monteiro, viver só é entender que não se está buscando nada. “Se alguém procura companhia o tempo todo é porque não se acha agradável o suficiente”, explica.

Quando a pessoa não convive bem consigo pode surgir um desespero, que causa uma procura sem cuidados. Assim, não é raro depois se sentir humilhada ou envergonhada. “O desespero compromete o discernimento e a pessoa acaba vivendo situações constrangedoras. Sai da experiência pior do que entrou”.

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