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Segunda-feira

3 de Agosto de 2020

Viver Bem: fobias devem ser levadas a sério

Psicólogo explica que sintomas devem ser tratados com terapia especializada

“A fobia é uma reação acentuada, grave, de medo. É quando o organismo entra em estado de luto ou fuga diante de um certo estímulo.” É assim que o psicólogo Bruno Farias define o conceito de fobia: um receio eterno de encarar esse agente desencadeador. 

E ele vem de diversas formas – locais apertados, escuridão, multidões, aranhas, baratas. Algumas delas são muito comuns. Outras, nem tanto.
Minha avó é das que têm fobia de barata. Dona Ana é uma paraibana arretada, que cuidou muito bem dos quatro filhos e o faz com os cinco netos. Mas aquele inseto de centímetros é capaz de desestruturar essa senhora de pouco mais de um metro e meio. 

As vezes em que a vi encarando o bicho levaram à tona todas as reações que o psicólogo explica acontecerem. "O fóbico não consegue enfrentar os sintomas que a fobia vai causar. O fóbico não está com medo, está com sintomas de paralisia. Ele simplesmente não consegue enfrentar. São descargas emocionais incontroláveis, entre elas choro compulsivo e não ter controle de síntese", diz ele.

E realmente é assim. E a família, muitas vezes tentando ajudar, acaba piorando o problema. Colocar a pessoa para enfrentar o problema, como eu vi muitas vezes o meu tio tentar fazer para ver se a minha vó deixava o julgado "medo", por ele, de lado. "A única alternativa decente é levá-lo a tratamento com pessoa especializada", afirma Bruno Farias. 

O psicólogo diz que para o tratamento da fobia, não é indicado meditação, hipnose, tampouco PNL. Qualquer técnica introspectiva deve ser descartada. "Essa não é minha opinião, é científico. Essas técnicas podem ser utilizadas dependendo do paciente, do contexto e somente por psicólogos ou psiquiatras. E elas são colocadas somente em determinado estágio e nunca no começo do tratamento", diz.

A conduta mais adequada é a psicoterapia cognitiva comportamental ou psicologia comportamental. Isso tudo aliado ao tratamento de psiquiatria, com a qual não se deve ter preconceito. 

Origem

A fobia pode causar uma rigidez muscular tão intensa que deixa a pessoa que sofre do mal incapaz de se movimentar. E sua origem ter uma discussão longa da ciência, segundo Bruno Farias.

"Hoje, se sabe que existem pessoas que são pré-dispostas. Ela possuem uma pré-disposição em que a fobia pode se instalar. Mas a genética não determina isso, ela pode só influenciar. O que determina a criação é a vivência da pessoa, ou seja, pelo o que essa pessoa passou", diz.

Qual foi a intensidade dessa exposição ao agente desencadeador? Quais os reforçadores, os sistemas aversivos? É necessário entender cada um desses elementos. Quem é essa pessoa, sua estrutura emocional, de personalidade. "Quando analisa tudo isso descobre como ela se formou. A fobia é uma construção muito mais da vida, do ambiente, que da genética".

 

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