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Sábado

29 de Fevereiro de 2020

Verão aumenta risco da doença do verme do coração em cães e gatos

Donos de animais de estimação precisam se atentar aos sintomas para dar início ao tratamento o quanto antes

O verão aumenta o risco de cães e gatos sofrerem com a doença do verme do coração. Conhecida clinicamente como dirofilariose, ela é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti (o mesmo vetor de dengue, zika e chikungunya) e outros da mesma família. Se não diagnosticada com antecedência, a doença pode ser letal aos pets. O diagnóstico é feito por meio de exames de sangue ou de imagens.

Os casos de doença do verme do coração aumentam no verão porque os mosquitos se adaptam melhor ao clima quente e úmido, potencializado pelas chuvas. "A prevenção mais efetiva deveria ser o controle dos mosquitos, mas isso é bastante complicado. O melhor, então, é tentar proteger o animal das picadas. Podemos usar coleiras à base de deltametrina. Já existe, também, uma vacina que garante proteção por 12 meses", explica a veterinária Nathalia Saraiva dos Anjos, do Centro Veterinário Seres da Petz, em Santos.

Quando o mosquito infectado pica o cão ou gato, transmite macrofilárias (vermes) que se alojam no coração, cruzam e produzem outro verme, uma microfilária. Ela se aloja nos vasos sanguíneos, causando problemas cardíacos e respiratórios.

Segundo o veterinário Eduardo Filetti, da Clínica Veterinária Filetti, “a doença é transmitida apenas pela picada do mosquito. Apesar de estarem no sangue, esses vermes não podem ser transmitidos em transfusão sanguínea para outros animais”.

O diagnóstico em estágio inicial é difícil, pois os sintomas da doença demoram a se manifestar. Quando perceptíveis, os vermes já cresceram e se multiplicaram, provocando insuficiência cardíaca. Nesse estágio, o cão ou gato pode apresentar tosse, falta de ar, coloração da língua mais escura, perda de peso, aumento de gânglios e resistência a exercícios.

"A dirofilariose é uma doença de evolução crônica. Quando ainda há pouca quantidade de vermes, eles comprometem, principalmente, as artérias pulmonares caudais. Porém, conforme a carga parasitária aumenta, as larvas atingem o coração, mais especificamente o ventrículo direito. Em um período de 90 a 100 dias após a infecç̧ão, tornam-se vermes adultos", contou Nathália.

Por isso, é necessário sempre ficar atento ao comportamento do animal de estimação. No caso dos gatos, há um diferencial, segundo a veterinária. “Neles, os vermes não se reproduzem dentro do organismo, e isso provoca a mudança de alguns sintomas, como o surgimento de respiração acelerada e apatia”.

Quando o animal é diagnosticado com a doença, o veterinário estabelece o tratamento para eliminar os vermes jovens, evitando que os parasitas cheguem à fase adulta. Normalmente, o tratamento é feito com medicamentos.

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