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Quarta-feira

11 de Dezembro de 2019

Valorizar a si mesmo é o primeiro passo para encontrar a felicidade

Para além das expectativas e sonhos, a raiz da verdadeira satisfação mora em cada um

Tom Jobim praticamente sentenciou que é impossível ser feliz sozinho. Mas calma. Não é preciso levá-lo tão ao pé da letra. O ser humano é um ser social por natureza. A todo instante está conversando, interagindo, convivendo. Por isso, é normal que nossas relações interpessoais tenham capacidade de potencializar a felicidade. Mas, segundo especialistas, ser feliz de verdade só depende de você. 

Para muitas pessoas, felicidade é uma foto cheia de likes nas redes sociais, um parceiro que lembre todos os dias o quanto ela é uma pessoa maravilhosa ou um chefe que nas reuniões reconheça o trabalho realizado. De fato, é reconfortante vivenciar momentos assim. Porém, quando estas pessoas, por algum motivo, não fazem isso, como fica essa tal felicidade?

De acordo com José Roberto Marques, master coach e presidente do Instituto Brasileiro de Coaching, a felicidade não está necessariamente do lado de fora: na conquista de um carro novo, na mudança de um cargo ou nas mãos de outra pessoa. Ela é um estado de espírito, algo que vem de dentro. “É uma decisão pessoal e permanente”.

“A felicidade genuína está nas pequenas coisas e está fora da sua zona de conforto. Para encontrá-la, é preciso arriscar-se a fazer algo novo, traçar novos planos, sonhos, ter algo que te faça estar em constante movimento”, garante. De forma geral, tudo relacionado a decisões ou sentimentos que começam no indivíduo.

Tanto que, para Marques, conquistar a felicidade é uma tarefa que exige primeiro pensar em si. Longe de se fazer uma apologia ao egoísmo; mas é fundamental viver a própria vida. Se for para compartilhar com outras pessoas, melhor. “Felicidade é estar em paz consigo mesmo”.

Agradar

Na teoria, pode até parecer fácil, mas quantas vezes você não fez algo só para agradar alguém? Ou precisou da aprovação de outra pessoa para validar alguma decisão? A psicóloga Thalita Lacerda Nobre explica que precisamos das outras pessoas para viver e que sempre estaremos convivendo com alguém. 

“Agora, não dá para depositar no ambiente a responsabilidade pelo respeito, aceitação e autoestima. Então, à medida que o indivíduo percebe que merece respeito, valoriza a si mesmo, que tem livre arbítrio para buscar situações que lhe favoreçam ou tragam satisfação e tranquilidade, também percebe que pode escolher melhor, e são essas escolhas que irão lhe garantir momentos felizes”.

É claro que, na vida, há situações que não escolhemos e temos que enfrentá-las. Mas também são muitas as guerras que nós decidimos lutar de forma consciente. E, segundo Thalita, quando essas escolhas têm base em autoestima, valorização de si mesmo, elas costumam trazer bons resultados. À medida que o sujeito se responsabiliza por aquilo que é dele e pode buscar decisões que levem ao bem-estar, a felicidade é favorecida.

“Agora, quando o sujeito tem a sensação de que tudo está dando errado, de que o mundo está contra ele, isso é um sinal de que algo está errado em suas escolhas e na forma como ele está se enxergando. Nesses casos, uma ajuda profissional pode ser necessária”, orienta Thalita.

Responsabilidade pela vida

No entanto, em geral, a dica da psicóloga é sempre se enxergar como parte integrante do mundo social e assumir a responsabilidade pela própria vida. 

É importante que o sujeito se pergunte porque ele está fazendo, quem é ele naquela situação, o que pretende com aquela atitude e, principalmente, a que lugar aquela ação vai levá-lo e se esse lugar é um bom lugar ou onde ele quer estar. 

“Se tivéssemos condições de perguntar isso em todas as condições, seríamos mais felizes”, avalia Thalita.

 

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