Vacina russa contra Covid-19 é segura e induziu boa resposta imune, diz pesquisa

Governo do Paraná, que firmou parceria para o desenvolver a vacina, prevê iniciar testagem no Brasil em um mês

A vacina Sputnik V, desenvolvida pela Rússia para combater o novo coronavírus, tem um bom perfil de segurança e induziu resposta imune forte em voluntários, afirma estudo publicado nesta sexta-feira (4) na revista científica The Lancet. A publicação, contudo, destaca que mais investigações são necessárias para comprovar a eficácia do imunizante na prevenção à covid-19.

"A vacina é altamente imunogênica e induziu fortes respostas em 100% dos voluntários adultos saudáveis, com títulos de anticorpos em participantes vacinados mais elevados do que no plasma convalescente", ressalta a revista. Entende-se por plasma convalescente o sangue de indivíduos infectados pelo vírus que produziram anticorpos para a doença.

A Lancet ainda informa que não foram registrados efeitos colaterais graves em participantes do estudo. "As reações mais comuns foram dor no local da injeção, hipertermia, dor de cabeça, astenia e dores musculares e articulares, típicas em vacinas baseadas em vetores virais recombinantes. Nenhum evento adverso sério foi relatado durante o estudo", ressalta a publicação.

A Rússia foi o primeiro país a registrar uma vacina contra a covid-19, o que aconteceu em agosto. A notícia, no entanto, foi recebida com desconfiança pela comunidade internacional, considerando a celeridade da produção do imunizante e a falta de estudos sobre ele até então.

Paraná deve protocolar pedido de testes da vacina russa no Brasil em até dez dias

O governo do Paraná deve protocolar em até dez dias, junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o pedido para iniciar os testes da vacina russa contra a covid-19. A fase 3 dos estudos clínicos deve contar com a participação de pelo menos dez mil voluntários.

Nesta sexta-feira, 4, a revista The Lancet divulgou que um grupo de pacientes que participou de um estudo preliminar do imunizante russo desenvolveu uma resposta imune sem nenhum efeito colateral sério. Os resultados dos dois testes, conduzidos em junho-julho deste ano e envolvendo 76 participantes, mostraram que 100% deles desenvolveram anticorpos para a doença.

De acordo com o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), os resultados das duas primeiras fases de testes da vacina russa foram compartilhados em agosto. O órgão trabalha em parceria com o Instituto Gamaleya desde julho, quando um acordo embrionário entre Paraná e Rússia foi assinado para viabilizar os estudos no Brasil.

Ainda nesta sexta, o Tecpar deve anunciar novos detalhes sobre a parceria com Moscou para o eventual desenvolvimento da vacina contra a covid-19. O Instituto também deve atualizar as informações sobre a previsão de testagem da Sputnik V no Brasil

No dia 27 de agosto, uma comitiva paranaense se reuniu em Brasília com representantes da Anvisa para alinhar detalhes sobre o protocolo e agilizar a aprovação do pedido. Naquela ocasião, o diretor-presidente do Tecpar, Jorge Callado, informou que iniciar a fase 3 dos testes no Brasil era uma prioridade, e que esperava iniciar os estudos até outubro.

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