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Quarta-feira

17 de Julho de 2019

Uso da tecnologia pode ajudar na luta contra a fascite plantar

Doença é uma inflamação crônica degenerativa no tecido que liga o osso do calcanhar aos dedos dos pés, e atinge cerca de 10% da população

A união de tecnologia e saúde pode promover um salto na gestão de atendimento pessoal quando o assunto é diagnosticar uma doença. A tese de doutorado do professor José Augusto Theodosio Pazetti, de 50 anos, cria um modelo de gestão de pacientes, com suas características pessoais, que vai ajudar fisioterapeutas a identificar os melhores tratamentos para a fascite plantar.

Essa doença é uma inflamação crônica degenerativa no tecido que liga o osso do calcanhar aos dedos dos pés e atinge cerca de 10% da população em pelo menos uma fase da vida, segundo o estudo.

Feito com orientação da professora Liu Chiao Yi, de 44 anos, no grupo de pesquisa em biomecânica da postura e do movimento da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o modelo de gestão, a princípio, tem fins acadêmicos, mas pode ser aplicado em diversas plataformas, segundo Pazetti.

“É um modelo que cabe a plataformas mais simples, como o Excel, usado na tese, mas também, se houver algum interesse, pode vir a ser comercializado como software ou até mesmo um aplicativo de celular”.

Ineditismo

Segundo a professora Liu Chiao, a tese traz, ainda, uma classificação inédita da doença. “Hoje, isso não existe. Fizemos uma classificação da doença a partir de quatro níveis e os tipos de tratamentos indicados para cada uma delas. É uma evolução significativa em diagnósticos, até então, nebulosos”.

Segundo a professora, a fascite plantar é uma doença comum, porém a melhora não é significativa. Além disso, pode-se descobrir, no futuro, por que a evasão desse tipo de tratamento é tão grande.

“Geralmente, quem tem essa doença vai no ortopedista uma vez e depois nem volta, já que ele não melhora totalmente. A pessoa se cansa do tratamento”.

Com o nível certo, poderá ser possível descobrir qual o tratamento mais eficaz para aquele tipo de doença. “Nesse modelo, poderemos até, num futuro, começar a fazer a gestão de outras doenças que até então carecem desse tipo de acompanhamento. Ganha o paciente, com um tratamento mais eficaz, e ganha o profissional, que saberá exatamente o perfil de seu paciente”, resume Pazetti.