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Terça-feira

22 de Outubro de 2019

Tireoide: 20% das mulheres têm distúrbios

Manter exames em dia é fundamental; retirada do órgão só ocorre em caso de câncer ou quando paciente não responde ao tratamento

Um quinto das mulheres acima dos 60 anos tem algum tipo de problema na tireoide – glândula que regula a função de órgãos como coração, cérebro, fígado e rins. Manter os exames em dia e saber os sintomas de distúrbios é essencial para garantir o bem-estar.

Entre suas funções, a tireoide é responsável por dois hormônios: T3 (triodotironina) e T4 (tiroxina). Eles ditam o ritmo de funcionamento do organismo. Em excesso ou em falta, as substâncias causam hipotireoidismo ou o hipertireoidismo.

Fatores de risco

Doenças autoimunes são as causas mais comuns dos distúrbios, explica a endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Rosália Padovani. Quem tem casos na família pode pedir exames na fase adulta. Em geral, o mal aparece dos 35 aos 55 anos, mas há possibilidade em qualquer idade.

Tratamentos

Comprimidos para estimular ou coibir a produção de hormônios são o tratamento mais comum dos distúrbios. Em algumas situações de hipertiroidismo, é necessário radioiodoterapia, um tratamento com iodo radioativo ingerido. “Hoje, a retirada do órgão só ocorre em caso de câncer ou quando o paciente não responde ao tratamento, tem alergia ou bócio volumoso”, conta Padovani. 

Nódulos

Nos dois distúrbios, o volume da glândula que fica no pescoço pode aumentar, mas não é regra. Essa espécie de inchaço é conhecida como bócio - muitos deles apresentam nódulos. Quando só há nódulos, nem sempre eles são visíveis. 

Apenas 5% dos nódulos na tireoide são cancerosos, explica Paulo Galeti Maccagnan, mestre e doutor em Endocrinologia pela Unifesp e professor da Unimes. Além disso, nem todos os pacientes com nódulos precisam de biópsia e cirurgia. O ultrassom mostra padrões de desenvolvimento que indicam necessidade ou não de investigação.

“Quando há suspeita de malignidade, é feita a biópsia. Se chama punção aspirativa por agulha fina. Essa agulha recolhe células para análise. Não requer anestesia ou um preparo”. 
No caso de nódulos malignos, se retira a tireoide e se indica o tratamento com maior dose de radioiodoterapia. Sem a glândula, a pessoa repõe hormônios para o resto da vida.

Por conta dos riscos, o melhor é a detecção precoce, diz o professor. “Depois da menopausa, o índice de nódulos aumenta. Então, é útil o ultrassom para acompanhar a necessidade ou não de biópsia”.

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