Suicídio: a prevenção é possível

A cada 40 segundos, uma pessoa tira a própria vida em algum lugar do mundo, conforme dados da Organização Mundial da Saúde

A cada 40 segundos uma pessoa tira a própria vida em algum lugar do mundo, conforme dados do ano passado da Organização Mundial da Saúde (OMS). Ainda assim, falar de suicídio é um tabu. Por isso, o mês de setembro é amarelo, como um alerta que chama atenção para os mitos que rondam o assunto e prejudicam o entendimento sobre saúde mental. Além de deixar um recado: é possível prevenir. 

“O suicídio ainda está associado a questões morais, pessoas fracas ou que não têm deus no coração. E isso é totalmente distante da realidade. Pessoas extremamente determinadas ou religiosas podem se matar. O que falta, nestes casos, é suporte”, afirma o médico psiquiatra Rondinelli Salvador Silva. E esse tipo de julgamento só piora a dor de quem está passando por um momento difícil. 

Por essa razão, entender que o sofrimento mental é como qualquer outro sofrimento físico e que é legítimo a pessoa ter suporte e tratamento, é um grande passo para evitar casos de suicídio. Quando não existe esse tipo de acolhimento, analisa Silva, quem sofre cala e isso é um risco. 

“Falar sobre os sentimentos, angústias e medo pode mudar a vida de quem está passando por uma situação difícil”, garante Andres Santos Junior, médico psiquiatra e psicanalista e supervisor do Ambulatório Longitudinal da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). 

Assim, ter um parente, amigo, profissional da saúde, líder religioso para conversar é importante como forma de “ventilar” a ideia de morte que se condensa na cabeça como única saída. 

Pandemia 

Mais do que o sinal amarelo, a pandemia da covid-19 acendeu um alerta vermelho. Silva explica que a covid-19 tem impactado as pessoas de diversas formas. Seja pela questão econômica - haja vista que muitos estão enfrentando perda financeira ou do emprego - e até mesmo pelo medo do contágio ou pelo luto. 

“O que sabemos de epidemias anteriores é que houve aumento de diagnóstico de transtornos de ajustamento, transtornos depressivos, de ansiedade e temos visto isso acontecendo agora. Sobre suicídio, temos dados frágeis, mas que já apontam para um aumento. Tanto da ideação suicida, assim como tentativas”, revela Silva. 

Se por um lado esse cenário influencia negativamente e, muitas vezes, não é possível mudá-lo, o psiquiatra aconselha a concentra-se naquilo que se pode controlar. 

“Saúde mental é saúde. Ter uma vida saudável é uma forma de ficar bem e evitar pensamentos suicidas. O ambiente influencia nessa questão, mas, muitas vezes, não temos controle sobre isso. Mas podemos fazer atividade física regularmente, ter uma alimentação saudável, ingerir água”, enumera. 

E, caso não esteja se sentindo bem, é importante procurar ajuda. “Entender que esse momento que estamos vivendo é realmente difícil e poder legitimar isso e falar que está sendo difícil é importante. Quando a gente não reflete, quando não coloca para fora, há uma tendência que se passe a sofrer em função daquilo”, diz Silva. 

E Santos Junior faz um outro alerta: “é mito dizer que aquele que se anuncia o tempo todo como possível suicida, não vá se matar. Falar que é frescura, teatro ou uma busca de atenção está errado. Por isso que buscar ajuda profissional é fundamental, tanto para melhor entendimento do que está acontecendo, como um tratamento adequado dos transtornos mentais”.

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