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Segunda-feira

16 de Setembro de 2019

Resiliência: se a vida bate, você levanta

Enxergar algo bom em meio a problemas e sair deles melhor do que se entrou é necessário num mundo dinâmico

Quem, quando os problemas parecem o mundo desabando sobre a cabeça, consegue enxergar o lado positivo e ainda sair com uma receita de como ser melhor na próxima? Primeiro, essas pessoas existem. Segundo, são as chamadas resilientes.

Heloísa Capelas é terapeuta familiar, especializada em Reeducação Emocional e diretora de Desenvolvimento Humano do Centro Hoffman. Segundo ela, resiliência é a capacidade do indivíduo viver dificuldades, momentos de dor, desequilíbrio e pressão e transformar tudo em aprendizado. 

“É quando a pessoa passa por dificuldades e permanece o ser humano que se propôs a ser”, explica. Aliás, o termo resiliência foi emprestado da Física para se espalhar por aí, ganhando status de uma das mais importantes habilidades emocionais. Mas em sua origem, servia para descrever a facilidade com que um material absorve um golpe, sem sofrer deformações ou com capacidade suficiente de retomar seu estado original depois de uma pressão.

É algo como a resistência que o boxeador Rocky Balboa, o icônico personagem de Sylvester Stallone, ensina quando diz que a vida não é sobre o quão duro você é capaz de bater, mas o quanto é capaz de apanhar e seguir em frente. Ou como a flexibilidade das molas, que esticam, encolhem e logo voltam para seu tamanho normal.

Isso não significa, porém, que, para ser resiliente, é preciso ser frio. Heloísa afirma ser o contrário. A pessoa se entristece, fica aborrecida e vive o luto. Mas, depois, absorve a dor, se recompõe, sacode a poeira e segue em frente.

“Sem ela (resiliência), nós nos tornamos uns reclamões, críticos e acusadores. Não saímos da posição de vítimas. A resiliência nos mantém íntegros, independentemente das dores. Sem resiliência, as pessoas se sentem destruídas por uma dor e, aí, tendem a culpar os outros. Mas isso faz com que elas adoeçam”, adverte Heloísa.

Importante

Em um mundo que impõe que se façam inúmeras coisas ao mesmo tempo, que muda velozmente e exige cada vez mais dos indivíduos, viver sobre pressão, frustrar-se e perder – diga-se de passagem – não são situações tão raras assim. 

Dessa forma, as pessoas que são capazes de não resistir a mudanças e adaptar-se mais facilmente a novas situações; de frustrar-se, porém, superar mais rapidamente os erros e encará-los como parte do processo de aprendizagem têm mais chances de ser mais bem-sucedidas. E, principalmente, mais felizes.

“Não temos que pensar em não passar por situações difíceis. Pelo contrário, temos que nos preparar para enfrentá-las. Isso evita um gatilho para crises emocionais”, destaca Karen Scavacini, doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP), diretora do Instituto Vita Alere e membro da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio.

Karen explica que a resiliência vai além de persistir, aguentar. Não significa sangrar os punhos dando murros em ponta de faca. É, na verdade, se autoconhecer e entender quando é preciso parar, mudar a estratégia e seguir outro caminho.

“A resiliência é também essa habilidade de análise e de saber quando há necessidade de se nutrir”, comenta.Portanto, cultivar pensamentos positivos e tirar um tempo para si mesmo são dicas que, conforme Karen, ajudam as pessoas a estarem conectadas com elas mesmas, facilitando o processo de autoconhecimento.

“Além disso, ter hábitos saudáveis como dormir bem, praticar exercícios físicos e ter, no dia, momentos para atividades que proporcionam prazer também ajuda”, diz. Também é importante ter em mente que, não importa o que aconteça, hoje pode ser a melhor oportunidade para um amanhã como se sonhou.

Saber resistir

Resiliência é algo como a resistência que o boxeador Rocky Balboa, personagem de Sylvester Stallone, ensina quando diz que a vida não é sobre o quão duro você é capaz de bater, mas o quanto é capaz de apanhar e seguir em frente.