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Sexta-feira

22 de Novembro de 2019

Quer? Pode. E consegue. É confiança

Autoconfiança pode ser definida como a capacidade de reconhecer uma habilidade para agir, tomar uma atitude ou decisão e fazer bom uso dela

Confiar em que se pode fazer ou ter algo é um baita combustível que nos movimenta até diante dos desafios mais complexos. Essa capacidade de acreditar em si mesmo e transformar-se em rolo compressor de obstáculos é como ostentar um superpoder na vida real.

Mas a definição de autoconfiança não é tão simples. Como também não o é conquistá-la. Ainda assim, segundo especialistas, com atenção a hábitos e uma postura honesta consigo mesmo, é possível acreditar que você pode. E, no final, poder de fato. 

Para Sâmia Simurro, psicóloga e vice-presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), a autoconfiança pode ser definida como a capacidade de a pessoa reconhecer que tem determinada habilidade para agir, tomar uma atitude ou decisão e utilizá-la bem. 

“É quando a pessoa reconhece os seus aprendizados, seus sucessos e acertos. Por exemplo: há pessoas que possuem a habilidade de liderança, se percebem com essa qualidade e sabem que têm os recursos necessários para desenvolver bem um trabalho num cargo de gerência ou diretoria.” 

Para ela, essa é uma questão que passa pelo início de tudo o que se faz na vida. E desenvolver confiança como indivíduo é aprender a definir o que se quer e o que não se quer, além de ter a percepção daquilo que sabemos e do que não sabemos. Torna-se mais fácil e segura a realização de determinadas tarefas. Sabe aquela boa e velha história de autoconhecimento? Então, é por aí. 

Com esse olhar atento e generoso para si mesmo, o ser humano passa a se entender, valorizando o que sabe e faz melhor, compreendendo seus papel e lugar. Sem deixar, por outro lado, de tomar consciência dos próprios limites ou falhas, explica a psicóloga e docente do curso de Psicologia e do Programa de Mestrado Profissional em Psicologia e Políticas Públicas da UniSantos, Thalita Lacerda Nobre.

Valorizar-se

Segundo ela, a autoconfiança para a Psicologia está muito ligada à autoestima – capacidade de valorizar a si mesmo. “Essa é uma capacidade extremamente importante porque se relaciona com todas as atividades que fazemos. Se você confia em si, demonstra que é atencioso, amoroso, cuidadoso com o que está fazendo. E, assim, faz bem.” Porém, quando esse combustível falta, é como se o motor do carro falhasse até parar.

É claro que as vitórias do dia a dia alimentam a convicção em si mesmo. Conseguir aquela promoção, ter coragem de saltar de paraquedas ou vencer o medo da direção. Tudo isso nos faz sentir mais fortes. 

Mas, para colecionar esses pequenos troféus do cotidiano, é preciso misturar a crença de que é possível dar certo, aceitar que possa dar errado e estar disposto a encontrar outro caminho se as coisas não saírem como se imaginava. 

Essa disposição em assumir os riscos que envolvem o que se deseja e também acreditar que sobreviverá se não der certo é importante, dizem as especialistas. No final, a questão é sempre acreditar que é possível encontrar uma saída. Caso contrário, o medo e a insegurança podem deixar o carro parado no meio do caminho.

Problema está em sabotar-se

Quando duvidamos do nosso valor, afirma Thalita Nobre, é mais fácil nos sabotarmos. “Muitas vezes, o sujeito batalha por conquistar, mas não se sente bem para usufruir do que lutou. Não acredita que possa ou mereça.” 

Sâmia Simurro explica que a autossabotagem ocorre quando criamos comportamentos que interferem no nosso foco, trazendo pensamentos negativos inconscientes ou expectativas negativas em relação à realização de uma demanda. “A falta de confiança acaba contribuindo para isso”, analisa. 

Porém, não adianta varrer tudo para debaixo do tapete, pôr uma máscara de super-herói e desfilar por aí. Aliás, numa sociedade que valoriza muito os autoconfiantes, positivos e vitoriosos, a tentação para fazer isso é grande. 

Porém, fazer questão de propagandear a confiança que se tem em si pode ser, na verdade, uma forma de esconder uma boa dose de insegurança ou incapacidade de se autoanalisar. 

“É importante ver se a autoconfiança não está disfarçada de arrogância. Autoconfiança é uma atitude adulta que não transfere o próprio problema para outro nem faz com que se sinta superior ao outro. É uma visão positiva, realista e, principalmente, humilde”, destaca Thalita. Se não for assim, afirma a psicóloga, não será positivo. 

“Vivemos numa sociedade que valoriza muito a confiança, a segurança, a pessoa estar bem e feliz o tempo todo. Por isso, muitas vezes confundimos a fé em si mesmo com arrogância, que está mascarando a dificuldade de identificar as próprias fraquezas.” 

Por tudo isso, um passo importante, de acordo com Sâmia, é reconhecer e tornar conscientes os pensamentos negativos para poder enfrentá-los e ressignificá-los. “Em algumas situações, uma ajuda profissional pode ser necessária para entender as causas da falta de confiança.”

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