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Sexta-feira

23 de Agosto de 2019

Psiquiatra comenta ligação entre atentados e transtorno mental: ‘não podem ser associados’

Diálogo aberto e atenção aos sinais de isolamento com pessoas próximas estão entre as recomendações do médico

“Atentados e massacres não podem ser associados com transtornos psiquiátricos”, o médico psiquiátrico Rondinelli Salvador ressalta a diferença após o episódio na Escola Estadual Profº Raul Brasil, em Suzano, na última quarta-feira (13).

Salvador explica que o País não possui um histórico de franco-atiradores como em países da América do Norte, apesar do atentado paulista apresentar semelhanças por serem homens, brancos, geralmente de baixa renda e que sofreram bullying. “um pequeno número de franco-atiradores apresenta um quadro de saúdes desses”.

Além disso, o especialista reforça que a Baixada Santista apresenta um quadro de saúde similar ao do restante do País e que “há um aumento de transtornos de ansiedade e depressivos, alguns causados por dependência química”.

Entre as recomendações do médico estão a atenção em sinais como isolamento, violência contra animais, busca de soluções violentas para problemas e uso de discurso de ódio, sendo necessário manter um “diálogo franco com o jovem”. “Temos que nos preocupar com o nosso discurso perante os jovens. Uma sociedade que acredita que o uso da violência resolve problemas pode vir a incentivar esse comportamento violento”, completa.

Dentro da escola

É por meio do contato direto com os alunos que os voluntários do projeto Capaz, do grupo MPC Baixada Santista, conseguem conhecer a realidade de jovens. Em encontros semanais, a iniciativa traz valores e palestras para debater temas como o suicídio, além de dialogar com escolas públicas da rede pública.

“Na rede pública notamos um padrão onde há a ausência dos pais, então observamos muita apatia e fragilidade na comunicação. Eles não se comunicam assim como também possuem dificuldades em ouvir conselhos”, explica o idealizador do projeto Marcos Vinicius Batista, o Cola.

A iniciativa é realizada desde 2013 em escolas de Santos, São Vicente, Praia Grande e Itanhaém e visa trazer religiosidade e valores para estudantes. Cola explica que as atividades e diálogos aproximam os voluntários de alunos, sendo possível encontrar casos severos. “Em uma escola de Praia Grande um aluno com quadro depressivo grave se isolava em sala de aula por ser superdotado. Após a palestra o aluno voltou a interagir e ajudou os colegas de turma", conclui.