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Terça-feira

21 de Maio de 2019

Março Lilás: o mês das mulheres e de prevenção ao câncer do colo do útero

Principal causa de morte por câncer em mulheres na região Norte, Nordeste e Centro Oeste, o câncer do colo do útero precisa da atenção feminina desde cedo

Março é tradicionalmente considerado o mês da mulher. No entanto, poucos podem saber, mas o mês também é conhecido por uma cor: o lilás. Março é voltado para a prevenção do câncer do colo do útero, que é a principal causa de morte entre mulheres das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil.

O ginecologista Gilberto Moreira Mello explica que o março lilás é importante pelo fato de conscientizar de que não é somente o câncer de mama que apresenta riscos às mulheres em termos oncológicos. “Diferente do homem, em que o câncer de próstata é o principal câncer do aparelho reprodutor, para a mulher não é só o de mama. O março lilás marca o mês da prevenção contra o câncer de colo uterino que também é muito importante por ser a segunda causa nas regiões Sudeste e Sul de morte por câncer em mulheres. E na região Norte, Nordeste e Centro Oeste, é a primeira causa”, explicou.

Gilberto explica que o câncer do colo do útero tem como causa, 90% das vezes, o vírus do HPV, que é oncológico, ou seja, um vírus que promove o câncer. “Existem algumas cepas do vírus que são mais agressivas, e por isso que foi desenvolvida a vacina. Mas a vacina não substitui a prevenção, que é o papa Nicolau, exame ginecológico e a colposcopia. Sabendo então que o HPV é a principal causa, a primeira grande prevenção é o uso de preservativo”, afirmou.

A principal diferença do câncer do colo do útero para o câncer de mama é a prevenção. “Nós não sabemos exatamente a causa do câncer de mama, e não conseguimos diagnosticar as lesões que vão anteceder a ele. Então o que temos hoje para o câncer de mama, é o diagnostico precoce. Agora, no câncer de colo uterino, nós temos sim lesões pré malignas, portanto existe uma prevenção real. Por isso é tão importante a consulta frequente ao ginecologista”, comentou.  

Doutor defende que as mulheres devem fazer acompanhamento ginecológico desde cedo (Foto: Arquivo Pessoal/ Gilberto Moreira Mello)

Do ponto de vista do câncer ginecológico, Gilberto aponta que o problema do câncer do colo do útero é assintomático no seu inicio, a paciente não percebe. Diferente de um nódulo de mama, em que é possível palpar. “Sangramento é um esforço físico, secreção com odor muito forte, e dor pélvica avançada, são sintomas inespecíficos. Então para o câncer de colo, os sintomas são muito difíceis”, revelou.  

Apesar de tantos pontos negativos, Gilberto afirma que se o câncer for diagnosticado em estágio inicial, ou em fase pré câncer, ainda é possível preservar o útero e dar a oportunidade da mulher engravidar. “O câncer do colo do útero possui quatro fases. Se ele está passando para a fase dois, já é uma forma mais complexa. Nesse caso, a retirada do útero pode se fazer necessária. É realmente importante o diagnostico precoce”, ressaltou o especialista.  

Por fim, o doutor afirma que o câncer do colo do útero acomete mais mulheres jovens, entre 25 e 35 anos, o que pode prejudicar a vida reprodutiva delas. Já o câncer de mama é mais frequente em mulheres mais velhas, após os 40 anos, e ele não compromete a gravidez.