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Quarta-feira

21 de Agosto de 2019

Músculos alongados resultam em corpo sem dor

Flexibilidade evita males e prepara ao esforço

Manter a flexibilidade corporal nem sempre é uma preocupação da maioria das pessoas, que entende o assunto como uma questão circense ou restrita às seleções de ginástica rítmica. Isso até aquela emperradinha na hora de abaixar para amarrar o tênis ou se esticar para pegar algo no armário mais alto da cozinha. 

A flexibilidade não é uma condição essencial somente em níveis altos para ginastas, mas é parte importante da engrenagem que faz girar a máquina que é o corpo humano. E para garantir um corpo flexível e, com isso, com menos dor e mais apto para atividades de maior impacto, o alongamento é um grande aliado.

Segundo a professora de Educação Física da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), Cassia Campi, a flexibilidade é a capacidade física que regula a amplitude de movimento de uma articulação e isso envolve a cápsula articular (membrana que envolve as articulações), os tendões, ligamentos, músculo e pele.

“Alongamento é um conjunto de exercícios, ou seja, as formas de trabalho que visam a manutenção ou melhora dos bons níveis de flexibilidade”, detalha.

Campi explica que com o passar dos anos o corpo vai se tornando mais rígido. Fora isso, o estilo de vida também influência. O sedentarismo, por exemplo, ajuda a enferrujar o corpo e com maior rigidez, a mobilidade é impactada e pode gerar dores. Se nesse pacote estiver estresse, então, a situação fica ainda pior com a tensão muscular.

“Para manter uma boa qualidade de vida, é de extrema importância que se alongue as principais articulações e músculos de nosso corpo, com especial atenção à cadeia posterior (musculatura posterior da coxa, glúteos e lombar), pois a falta de flexibilidade nessa região é um dos fatores mais comuns de dores nas costas que afetam a qualidade de vida de muitas pessoas hoje em dia”, diz Campi.

Realizar alongamento diariamente pode proporcionar a diminuição de tensões musculares, ajudar no relaxamento, melhorar a postura. Além disso, ajuda na consciência corporal e como também é realizado com respiração ritmada e profunda, pode ser ajudar na concentração e no combate ao estresse.

Impacto

João Paulo Botero, professor do Departamento de Ciências do Movimento Humano, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica que o alongamento traz benefícios realizado como um exercício isolado, antes e depois de treinos de musculação, natação, corrida ou outras atividades de maior impacto.

Na verdade, Botero afirma que a flexibilidade faz parte de um conjunto de elementos como capacidade cardiorrespiratória e muscular que integram a aptidão física do individuo. “Entender esse conjunto é importante. Quando falamos, por exemplo, que o alongamento evita lesões, na verdade estamos dizendo que o alongamento ajuda no condicionamento do corpo como um todo, e isso, sim, evita a lesão”. Dessa forma, conforme Botero, o ideal é que o alongamento diário seja acompanhado de atividade física de impacto maior, como a corrida ou musculação.

Muitos exercícios, várias finalidades

A professora Cassia Campi, da Unimes, explica que existem vários tipos de exercícios de alongamento e cada um deles pode ser utilizado para um fim específico. 

Por exemplo, para preparar os músculos e as articulações para um esforço mais intenso é indicado dar prioridade a exercícios utilizando o método ativo dinâmico, quando o indivíduo alcança voluntariamente a maior amplitude e realiza pequenas oscilações controladas de movimentos. 

Já para aumentar os níveis de flexibilidade, melhorando a amplitude dos movimentos, é recomendado utilizar métodos passivos estáticos, ou seja, quando o indivíduo alcança e mantém a posição com ajuda externa, com aparelho ou um profissional acompanhando. Ou ainda em treinamentos avançados, com a utilização de métodos mais específicos.

“Os exercícios podem ser realizados em qualquer momento, antes ou depois do treino, em sessões individuais ou não, tudo vai depender do objetivo e das escolhas certas de exercícios, métodos e intensidades dos treinos”, avalia.

Demais não é bom
Cassia Campi afirma que é importante ressaltar que o excesso de flexibilidade nem sempre é benéfico. Pessoas que têm uma flexibilidade fora do comum podem 
ser muito mais suscetíveis a luxações, por exemplo, devido à instabilidade na cápsula articular. Assim, bons níveis de flexibilidade são aqueles que permitem à 
pessoa realizar tarefas diárias com segurança e eficiência.

"Se você é um ginasta, então sua necessidade de ser flexível é muito maior do que a da maioria das pessoas comuns, pois as tarefas que você realiza no seu dia exigem muito mais desta capacidade. Sendo assim, você necessita treinar com 
mais intensidade. Se não é seu caso, treinos menos intensos e mais frequentes serão mais seguros e eficientes”.