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Quinta-feira

13 de Dezembro de 2018

Indústria alimentícia vai diminuir o uso de açúcar nas receitas até 2022

Medida vem após acordo do setor e Governo Federal e visa usar 144 mil toneladas

Açúcar ou adoçante? Resposta à parte, um fato: doces em excesso fazem mal. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o brasileiro exagera. O consumo diário médio é de 80 gramas, enquanto o recomendado é de 25 gramas, e o limite considerado saudável, de 50.

Um acordo firmado entre indústrias alimentícias e Governo Federal, inédito no mundo, pode ajudar no controle. Até 2022, a meta é reduzir a quantidade de açúcar em bebidas adoçadas, achocolatados em pó, bolos, misturas para bolo e produtos lácteos. A diminuição corresponderá ao uso de 144 mil toneladas a menos de açúcar nesses produtos.

A técnica em Nutrição Stefany Andrade explica que o perigo do açúcar refinado no organismo é o aumento de doenças crônicas, como diabetes e obesidade, principalmente para as crianças. “Essas doenças têm índices de mortalidade bem grandes pelas complicações, como a hipertensão”.

Enquanto não se reduz o açúcar na indústria, estabelecimentos comerciais diversificam os meios de adoçar bebidas. Nas mesas e no balcão de uma cafeteria no Centro de São Vicente, por exemplo, o consumidor encontra açúcar comum refinado, mas também há adoçante, açúcar demerara, mascavo e, para quem pedir, canela em pó.

É mais caro para o comércio, diz a responsável pelo setor de compras e pela cozinha, Vanessa Rabello, “mas a gente não abre mão. Optamos por atender todos os públicos porque tem muita gente com restrições alimentares ou que entraram na linha da alimentação saudável por dieta ou saúde. Tanto que, hoje, o que mais usam aqui é o mascavo”.

O personal trainer Marcelo Mancarini, de 50 anos, riscou o açúcar da dieta, mas sabe que vários outros alimentos que consome têm adição de açúcares. “Até como o que é industrializado, mas, em vez de açúcar num café, suco ou frutas, prefiro stevia (tipo de adoçante natural). A diferença é o aumento da minha disposição”.

Um sachê de acúcar contém cinco gramas do produto (Foto: Carlos Nogueira/ AT)

O acordo

A futura redução na quantidade de açúcar usada pela indústria brasileira na produção de alimentos tem por base o que já foi feito, nacionalmente, em relação ao sódio. Nos últimos quatro anos, o volume de sal que se deixou de utilizar em itens processados totalizou 17 mil toneladas.

O grupo alimentício que sofrerá a maior redução de açúcar será o das bolachas recheadas (até 62,4%), seguido por produtos lácteos (53,9%), misturas para bolo (46,1%) refrigerantes (33,8%) e achocolatados (10,5%). A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fiscalizará o cumprimento da medida.

O gerente de licitações Weslley Guilherme dos Santos, de 25 anos, prefere açúcar refinado a adoçante. Na família dele, todos aderiram a mascavo, demerara ou orgânico, mas consideraram a mudança insuficiente: tudo é açúcar.

“Comentei coma minha irmã que nos lanches que minha sobrinha leva à escola. Todo dia tem bolinho, bolacha. É muito prejudicial à saúde dela. Essa mudança na indústria vai ajudar muito”, diz.

Comparações

De acordo com informações da Organização Mundial da Saúde, 36% do açúcar consumido diariamente está presente nos alimentos industrializados. Além disso, OMS estima que o brasileiro ingira 80 gramas do produto por dia, o que equivale a 18 colheres de chá.

A quantidade ideal de açúcar recomendada pelo organização é de 25 gramas e até 50 é o limite para uma vida saudável. Em um sachê de açúcar comumente encontrado em cafeterias contém 5 gramas, o que equivale a quase três colheres de café.

Tipos de açúcar

Açúcar refinado

> Passa por todos os processos de refinamento, com aditivos químicos

Açúcar demerara

>Tem menos refinamento e não recebe produto químico. Conserva mais os bons nutrientes.

Açúcar mascavo

> Não passa por refinamento nem recebe produto químico. Conserva os nutrientes. 

Açúcar orgânico

> Não recebe nenhuma adição química do início ao fim do processamento. Conserva todos os nutrientes.