Hábitos saudáveis são antídoto ao câncer de bexiga

Quadro de tabagismo aumenta a chance de surgimento deste tipo de tumor

Números preocupantes do Instituto Nacional do Câncer (Inca) indicam que o câncer de bexiga vai afetar 10.640 pessoas no País neste ano. Mais de 70% dos casos ocorrerão em homens (7.590). Julho é o mês de conscientização para este tipo de tumor, o mais comum do trato urinário. A quem fuma, fica o alerta: o consumo de cigarro faz aumentar de quatro a cinco vezes as chances de sofrer do mal.

>> Saiba outros dados sobre o câncer de bexiga

De acordo com o médico urologista da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) Walter Melarato, pesquisas com novas drogas quimioterápicas e imunoterápicas têm demonstrado bons resultados em descobertas para tratar a doença.

“Há avanços significativos nos preparos pré, intra e pós-operatório dos pacientes. Isso contribui para diminuir índices de complicações cirúrgicas. Mas é importante frisar que a suspensão do tabagismo é muito importante para prevenir o câncer de bexiga.”

Essa é a maior preocupação dos especialistas, pois o cigarro tem substâncias chamadas aminas aromáticas, que agridem a camada da bexiga, afetando as células normais.

“O câncer de bexiga agride o paciente de dentro para fora. Depois progride e invade essa parede, havendo agressão nessa camada. O cigarro é cancerígeno em vários tipos de tumor, mas as aminas aromáticas provocam ainda mais essa agressão”, explica o médico urologista Fábio Atz.

E a preocupação é não só com os fumantes diretos, mas também com os indiretos. O parente de quem fuma e está próximo ao consumidor do cigarro também pode sofrer os efeitos, explica o médico.

Homens mais expostos

De acordo com o Inca, homens brancos são mais predispostos a sofrer do mal. Os números não têm explicação genética e podem estar ligados ao próprio tabagismo. Melarato acredita que os dados acabam refletindo o comportamento das pessoas. “A doença vem crescendo em outros grupos e no sexo feminino devido ao tabagismo”, aponta.

A faixa etária que mais sofre com a doença é a que vai dos 60 aos 70 anos, segundo os especialistas. O pico, de acordo com o Hospital do Coração, ocorre aos 73 anos. Abaixo dos 40 anos é pouco frequente, mas o urologista Fábio Atz reforça que, a partir dos 45 anos, ao se fazer um check-up, a prevenção é reforçada. Alguns dos sinais são claros.

“O que chama atenção no câncer de bexiga é o sangramento que ocorre na urina. É indolor e intermitente, sangrando e parando. Quando urina, volta ao normal, depois volta a sangrar. Pode haver alterações de frequência e urgência em urinar.

Independentemente da idade, caso seja notado sangramento da urina, é preciso procurar imediatamente um médico”, adverte. Outros sinais podem ser a dor e o emagrecimento.

Tratamentos

Segundo Atz, de 70% a 80% das lesões se apresentam em estágio inicial. Ou seja, são tumor que não invadiram a musculatura, superficiais. Nesses casos, a forma de tratamento é sempre endoscópica, com refecção, uma cirurgia simples e rápida, que muitas vezes cura o problema. Depois, o médico decidirá quais critérios serão adotados para que a doença não reapareça.

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