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Sábado

8 de Agosto de 2020

Fumantes ampliam consumo de cigarros durante quarentena, diz pesquisa

Levantamento feito por universitários de Guarujá investiga os riscos do uso do tabaco e derivados associados a complicações da Covid-19

Ao menos um de cada dois brasileiros tabagistas relata maior consumo de cigarro desde o início das regras de quarentena no Brasil, adotadas para reduzir a curva de contágio de Covid-19. É o que revela o mapeamento feito pelo curso de Fisioterapia da Unoeste, em parceria com a Medicina Guarujá. O estudo investiga os riscos do uso do tabaco e derivados associados a complicações do novo coronavírus. 

Conforme o levantamento, 46% dos brasileiros que fazem uso regular de tabaco afirmaram sentir mais vontade de fumar durante este período. Deste grupo, 37,5% aumentaram de um a dez unidades por dia; e outros 6,2% superaram a uma centena de cigarros por dia. 

A conclusão consta na pesquisa “Influência da pandemia da Covid-19 no nível de dependência a nicotina e nos hábitos de consumo de tabaco e derivados”. O estudo avaliou 128 brasileiros que fazem uso regular de tabaco em todo o país, por meio de questionários virtuais.  

“O objetivo da pesquisa é investigar para analisar o nível de conhecimento de tabagistas sobre os riscos do uso do tabaco e derivados associados a complicações da Covid-19, além de descobrir a influência da pandemia no hábito de consumo dessas pessoas”, explica Ana Paula Coelho Figueira Freire, uma das professoras que coordena o projeto, Ela afirma que, além do cigarro convencional, o estudo incluiu os usuários de cigarrilha, charuto, narguilé e derivados.

Querem parar 

Os primeiros dados do estudo revelam que 42% dos entrevistados demonstraram interesse em interromper o vício. “Eles estão mais motivados para parar de fumar no período da pandemia. Em relação ao conhecimento dos tabagistas sobre as complicações do cigarro na Covid-19, os dados apontam que 77,3% deles sabem que o consumo de cigarro e derivados podem agravar os sintomas da doença e levar a maiores complicações”, continua a professora.  

A docente complementa que os participantes do estudo têm conhecimento sobre a relação de complicações da Covid-19 e o hábito de fumar. “Boa parcela dos fumantes enxerga a pandemia como uma motivação para deixar o hábito de fumar, o que reforça que este é um oportuno momento para os profissionais de saúde intervir e orientar estes indivíduos sobre estratégias para deixar o cigarro e seus derivados de vez”, salienta. 

Próximos passos 

Ana Paula explica que as demais etapas incluem mais um momento de avaliação sobre os hábitos dos entrevistados. Após 30 dias da realização do primeiro questionário, todos os participantes serão convidados para responder novamente as mesmas perguntas.   

“O objetivo é avaliar estas características também no período de afrouxamento das medidas da quarentena que estão ocorrendo especialmente no estado de São Paulo. Em seguida, os dados irão passar por procedimentos estatísticos mais refinados e serão enviados para eventos científicos e também para publicação em periódicos científicos”, finaliza.

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