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Sábado

20 de Abril de 2019

Especialista alerta para a importância do diagnóstico precoce do câncer

No Dia do Câncer, cirurgião especialista em cabeça e pescoço explica como pode ser feita a prevenção da doença

No dia 4 de fevereiro, a conscientização sobre o câncer se fortalece. A data, instituída em 2005 pela União Internacional para o Controle do Câncer (UICC), tem como objetivo fomentar a discussão do assunto na sociedade, visando ajudar a controlar a doença por meio da prevenção e diagnóstico precoce.

Segundo o cirurgião especialista em cabeça e pescoço Rogério Dedivitis, o Dia do Câncer é crucial para que pessoas comecem a se preocupar mais cedo em levar um estilo de vida saudável, além de buscar o diagnóstico precoce da doença.

Um dos tipos de câncer mais comuns no Brasil é o de pele, que corresponde a um terço dos diagnósticos da doença. Para identificá-lo, é necessário se atentar a sinais como manchas na pele e outros sintomas comuns a outros tipos de câncer. Perda de peso, nódulos, fadiga e febre devem receber atenção especial, segundo Dedivitis.

AT - Existe alguma forma de prevenção ao câncer?

Dr. Dedivitis - A prevenção primária é a mais importante populacionalmente, e visa reduzir a exposição a fatores de risco. O mais reconhecido é o tabagismo. Outros fatores de risco existem, como o consumo exagerado de bebidas alcoólicas, a exposição a certos fatores ambientais, exposição à irradiação - após as bombas atômicas na II Guerra Mundial e o acidente em Chernobyl, houve um verdadeiro surto de câncer de tireoide -, fatores alimentares - vegetais diminuem o risco e gordura aumenta -, predisposição genética, etc.

A prevenção secundária visa o diagnóstico precoce, e uma das estratégias para isso é a busca ativa entre pessoas que se constituem em grupos de risco, por exemplo, exame preventivo da boca em membros de associações de alcoólicos anônimos e exames periódicos de mamas e próstata.

AT - Qual é a importância do diagnóstico precoce?

Dr. Dedivitis - O câncer, nas fases iniciais, é uma doença potencialmente curável. Em estágios iniciais da doença, o tratamento é menos agressivo e com custo menor, portanto, com menor impacto para a saúde pública. Nesse sentido, muitos pacientes poderão voltar à atividade profissional e ter uma vida social plena. Por outro lado, tumores avançados têm uma chance de cura menor, o tratamento pode ser agressivo e até mutilante, com grande impacto na qualidade de vida do paciente e de sua família. Além disso, o custo é muito elevado.

AT - Como a pessoa pode desconfiar de que está com a doença para buscar ajuda?

Dr. Dedivitis - Cada órgão apresenta características peculiares. Alguns sintomas gerais devem chamar a atenção do paciente, contudo, eles são comuns a várias situações. Perda de peso significativa, sem uma causa aparente, deve ser investigada, porém, ocorre até mesmo em momentos de estresse e depressão. Febre, fadiga e dor persistentes e sem causa aparente merecem também avaliação por um profissional da saúde, bem como nódulos, caroços e massas não relacionados a trauma e inflamações, ou mesmo feridas na pele e mucosa que não cicatrizem. Essas situações, na maioria das vezes, não são cânceres, mas devem ser avaliadas por um médico.

AT - O câncer com maior incidência no Brasil é o de pele. Por que isso acontece?

Dr. Dedivitis - O câncer de pele corresponde a um terço de todos os cânceres no Brasil, ou seja, anualmente, há uma estimativa de cerca de 180 mil casos novos. Os tipos mais comuns são os carcinomas basocelulares e, em seguida, os espinocelulares. Ao contrário destes, o melanoma é agressivo. A exposição solar é um fator de risco, sobretudo entre pessoas com pele mais clara. O Brasil, pelas condições climáticas, é uma área de maior risco.