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Segunda-feira

17 de Junho de 2019

Endocrinologista alerta: teste do pezinho é rápido e pode salvar a vida do bebê

Exame capaz de detectar mais de seis doenças tem seu Dia Nacional comemorado nesta quinta-feira

Fácil, rápido e fundamental para a saúde, o teste do pezinho é um exame de sangue coletado no pé do recém-nascido capaz de detectar mais de seis tipos de doenças. Ele é realizado entre o terceiro e, no máximo, quinto dia de vida dos bebês.

O teste, que tem seu Dia Nacional comemorado nesta quinta-feira (6), diagnostica precocemente doenças que podem causar complicações graves, que vão desde retardo mental até a morte, de acordo com Tânia Bachega, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP), que acompanhou a reformulação do Programa Nacional de Triagem Neonatal no Ministério da Saúde.

A profissional ressalta que, no Brasil, nascem quase 3 milhões de crianças por ano, e a triagem nos recém-nascidos depende de cada estado. Em São Paulo, são cerca de 50 mil crianças nascidas, e a cobertura de recém-nascidos triados é de 90% a 95%, isto é, está quase na totalidade.

Como é feito

Com uma agulha fina, é retirado o sangue do calcanhar do bebê, e as gotinhas são colocadas em um papel que segue para laboratórios habilitados a realizar o teste.

As maternidades da rede particular fazem a coleta do material. Já no sistema público, isso não acontece em todos os municípios, e a mãe precisa ficar atenta ao prazo limite para levar o recém-nascido a uma Unidade Básica de Saúde para colher o sangue.

“O importante não é somente coletar o sangue, mas, também, cobrar a liberação rápida dos resultados. As mães devem exigir o resultado do teste por escrito”, alerta Tânia.

A médica ainda alerta que as mães geralmente confundem a imagem digitalizada do pezinho com o teste. “São coisas muito diferentes. A foto do pezinho é só para a identificação do bebê na maternidade”, diz.

Entre as doenças rastreadas pelo teste do pezinho, estão:

- Hipotireoidismo congênito: com o diagnóstico tardio, a criança terá retardo mental grave, chamado de cretinismo.

- Fenilcetonúria: doença rara, congênita e genética, que afeta o sistema neurológico.

- Anemia falciforme: doença do sangue causada por uma alteração genética no formato das hemácias, diminuindo sua capacidade de transportar oxigênio para as células do corpo e gerando sintomas como dor generalizada, fraqueza e apatia.

- Fibrose cística: conhecida também como mucoviscidose, é uma doença genética, hereditária, autossômica e recessiva, ou seja, passa de pai ou mãe para o bebê. Afeta os aparelhos digestivo e respiratório e as glândulas sudoríparas.

- Hiperplasia adrenal congênita: doença que afeta os hormônios essenciais da vida, como cortisol e aldosterona. Sem o tratamento precoce, leva o bebê à desidratação grave nos primeiros dias de vida, frequentemente evoluindo para o óbito.

- Deficiência de biotinidase: doença metabólica hereditária que pode causar convulsões, surdez, ataxia, hipotonia, dermatite, queda de cabelo e atraso no desenvolvimento.

“A triagem neonatal é um processo complexo, pois não se restringe apenas à realização dos testes para diferentes doenças. Envolve, também, a busca rápida dos bebês com testes positivos para a confirmação diagnóstica da doença, por meio de exames mais específicos, e início do tratamento no menor tempo possível e acompanhamento por uma equipe multiprofissional”, conta a médica.

Teste positivo: o que fazer?

Uma vez que o resultado tenha dado positivo para alguma das doenças que o teste do pezinho detecta, é preciso tirar a prova com um novo teste. Mesmo que seja difícil e assuste os pais, o resultado positivo nem sempre quer dizer que a criança desenvolverá a doença em questão. Nesses casos, o teste deve ser repetido rapidamente, com o acompanhamento do pediatra, que deve ficar atento às manifestações clínicas da doença.