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Sexta-feira

10 de Julho de 2020

Conselho de Medicina alerta para falta de especialistas

Acredita-se que, se nada mudar, vão faltar especialistas de algumas áreas em breve

A nova presidência do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) está preocupada com a distribuição de vagas nas residências médicas. Acredita-se que, se nada mudar, vão faltar especialistas de algumas áreas em breve.

A fala é da vice-presidente da entidade, Irene Abramovich. Segundo ela, tem muita gente sendo formada, mas para residência em Geriatria e Médico da Família, por exemplo, não há procura. Para resolver o problema, seria preciso discutir de forma nacional a carreira médica.

“Geriatria não tem procura. Estamos muito preocupados. Daqui a pouco não vamos ter algumas especialidades que são fundamentais como Pneumologia, Hematologia, Cirurgia Torácica e Cirurgia Pediátrica, por exemplo. Isso, em todo o Estado”, explicou Irene, durante visita em A Tribuna.

Ela veio com a nova presidente responsável pela Delegacia do Cremesp na Baixada Santista, Monica Yasmin Pinto Corrado – a primeira mulher no cargo de conselheira na região. Ela conta que, por aqui a situação não é diferente. Porém, não é possível discutir ou resolver de forma local.

“Não adianta aumentar o número de vagas de residência se não tem procura. E falta por quê? Porque o residente quer ser cardiologista, neuro, em vez de entrar numa carreira instável”, conta ela. “Pois médico da família, quando sai prefeito, é mandado embora. Precisa ter um plano para serem valorizados, atraírem os estudantes e residentes”, complementa Irene.

Revalida

Outra bandeira da nova diretoria do Cremesp é pelo Revalida. Isso porque o Ministério da Saúde prepara uma medida provisória que pode flexibilizar a revalidação do diploma para os médicos cubanos que permaneceram no Brasil após o fim do acordo com o País no ano passado.

A estimativa do governo é que 2 mil profissionais estejam nessa situação, mas o Cremesp não tem os números da Baixada Santista.

“Estamos na linha de frente defendendo que exista o Revalida e que seja sistemático, de tempos em tempos. Não posso colocar uma pessoa para atender se não sei se é médico. Não é preconceito. Se você fizer Medicina em Havard, Oxford, tem que revalidar seu diploma também”, conta Irene.

Segundo as representantes do conselho, em qualquer lugar do mundo é preciso revalidar o diploma. Aqui é que se debate flexibilização.

Outro problema relacionado, diz Mônica, é que na Baixada Santista há cerca de 5 mil médicos, mas o órgão não sabe quantos são do Mais Médicos na região.

“Pois os registros deles não passam pelo Cremesp. Essas pessoas estão subordinadas só ao Ministério da Saúde. Se tivermos um erro médico eu não vou saber quem esse profissional é”, explica.

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