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Terça-feira

18 de Junho de 2019

Campanha Fevereiro Roxo faz alerta para o diagnóstico do lúpus

Doenças autoimunes são o foco de conscientização do mês, que chama a atenção para os sintomas do lúpus

O mês de fevereiro é dedicado à conscientização sobre doenças autoimunes, com foco principal no lúpus, fibromialgia e Alzheimer. O lúpus é uma doença que apresenta grande diversidade de sinais clínicos. A causa ainda é desconhecida, mas, segundo o Ministério da Saúde, uma série de fatores contribui para que ele se desenvolva no organismo de algumas pessoas.

Doenças autoimunes, em geral, podem ser causadas pela combinação de fatores hormonais, infecciosos, genéticos e ambientais. O lúpus é uma doença em que o sistema imunológico ataca e destrói tecidos saudáveis do próprio corpo, um comportamento anormal do organismo.

Geralmente, os sintomas incluem inflamações nas articulações das mãos, vermelhidão na pele, manchas no rosto semelhantes à uma asa de borboleta, queda de cabelo, anemia sem causa definida, líquido nos pulmões, espuma na urina e febre de origem indeterminada. Quando não controlado, o lúpus pode provocar lesões nas articulações, rins, pulmões, cérebro, coração e nos elementos que compõem o sangue. Sendo assim, anemias severas e queda dos glóbulos brancos e plaquetas podem trazer sérios riscos aos pacientes.

Há muitos estudos que conduzem a novas perspectivas no tratamento da patologia, especialmente no território dos imunobiológicos, como, por exemplo, no caso de comprometimentos renais, as chamadas nefrites lúpicas.

Diagnóstico

O médico reumatologista especialista em lúpus Eduardo Yabuta Silveira explica que o diagnóstico ocorre quando nota-se uma combinação dos principais sintomas. “Devemos suspeitar quando sintomas clínicos citados acima ocorrem isoladamente ou em conjunto. Destaco que achados laboratoriais auxiliam o diagnóstico, mas nem sempre isoladamente o fazem sozinhos. Dessa forma, a avaliação médica é sempre necessária”, recomenda.

O especialista também afirma que a doença, apesar de não ter cura, tem um período de remissão, assim como outras doenças autoimunes. “Doenças autoimunes não têm cura. O objetivo do tratamento é a remissão, que ocorre quando os sinais e sintomas clínicos estiverem ausentes, bem como quando houver normalização de algumas provas laboratoriais”, diz.

O especialista também diz que, mesmo que a doença esteja em remissão, o paciente deve ser monitorado.

Tratamento

O tratamento para buscar a remissão do lúpus deve ser feito de forma multidisciplinar, segundo o reumatologista. Ou seja, deve reunir diversos profissionais com especializações em áreas diferentes da Medicina. Já sobre os remédios, ele explica: “A terapia medicamentosa reúne um grande arsenal de possibilidades, como os corticóides, cloroquina, azatioprina, ciclofosfamida e mais modernamente, os imunobiológicos”.

Os cuidados no dia-dia dos pacientes incluem o uso de protetor solar, evitar o tabagismo, prática de atividades físicas regulares após o controle da fase inflamatória e estabilização da doença.

Não há cura

A esperança de uma cura para o lúpus ainda é algo muito distante para a comunidade médica, segundo Yabuta. “O objetivo do tratamento é sempre a busca da remissão da doença. Infelizmente, não podemos falar em cura. Entretanto, o prognóstico dos pacientes com lúpus têm melhorado bastante nas últimas décadas”.

Para ele, o grande segredo é procurar o diagnóstico prematuro, instituir o tratamento precoce e nunca perder de vista o acompanhamento regular, mesmo em períodos de remissão.

Bom humor é essencial

A pedagoga Aparecida Maria da Silva Souza, de 61 anos, recebeu seu diagnóstico de lúpus no ano de 1984. A paciente conta que viver com a doença, mesmo em remissão, exige cuidados que precisam ser seguidos à risca. Na época de seu diagnóstico, ela afirma ter sentido muito medo. “Não tinha muita informação sobre a doença, por isso fiquei muito preocupada”, diz.

A pedagoga Aparecida Maria alerta para a importância dos cuidados com o lúpus em seu dia a dia (Foto: Aparecida Maria da Silva Souza/Arquivo pessoal)

Além disso, parte do medo que sentiu veio do fato de médicos frisarem que não há cura para a doença. A pedagoga reforça a importância dos cuidados com a saúde, ainda que a doença esteja controlada em seu organismo.

“Tem que ficar atento. Faço exames de sangue todo ano mesmo estando em remissão da doença, mas não pode relaxar”, conta. Ainda assim, Aparecida diz que o bom humor é fundamental, e ajuda a lidar com a doença autoimune de forma mais leve.