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Sexta-feira

23 de Agosto de 2019

Calor eleva risco de cálculo renal

Solução é evitar bebidas prejudiciais, como refrigerante e suco artificial

Problemas nos rins costumam aumentar em cerca de 30% a procura por especialistas no verão. Como os cálculos renais são o incômodo mais comum, a melhor forma de se proteger é se hidratando, mas com atenção: nem todo líquido ajuda o organismo.

Quem alerta é o médico urologista Fábio Atz Guino. Ele explica que, nesta época do ano, sentimos mais sede devido ao calor, e principalmente a perda de líquido pelo suor e viroses que causam diarreia e vômito fazem com que a eliminação de líquido seja maior do que a reposição. Além disso, a hidratação errada também contribui para o aparecimento de cálculos renais.

O motivo é que substâncias contidas em refrigerantes e sucos industrializados sobrecarregam os rins, explica o médico. Portanto, cuidar da alimentação é fundamental.

“Coca-Cola, isotônicos, suco de caixinha, churrasco, suplementos alimentares de proteína e alimentos salgados são prejudiciais, pois o que carrega o sal para dentro da via urinária é o sódio. É preciso ter três cuidados: hidratação até a urina ficar clara, tomar mais sucos cítricos naturais, porque eles inibem a formação de pedras, e ter pouco sal na alimentação”, recomenda.

Ainda segundo o especialista, a formação de cálculos decorre do acúmulo de sais que seriam excretados pelo corpo. Ele exemplifica com a imagem de um copo de água com a çúcar. “Se você deixar a água ali parada, sem mexer, o açúcar baixa e se solidifica. Quando não tomamos água suficiente, acontece algo parecido com os rins”.

Perigo

Como nem sempre os cálculos renais causam sintomas, há pacientes que percebem o mal quando está em estágio avançado. O tratamento depende de cada caso. Avaliam-se porque os
cálculos se formaram, onde estão e seu tamanho. Aí, o médico decide se é preciso dieta, remédios ou cirurgia. Em casos graves, os rins podem ser prejudicados.

Por ano, cerca de 21 mil brasileiros precisam iniciar tratamento por hemodiálise ou diálise peritoneal, segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN).

Sem neuras

O professor de Nefrologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (USP), e vice-presidente para a Região Sudeste da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), Osvaldo Merege Vieira Neto, tranquiliza quem não tem casos de pedras nos rins na família. O mais comum é que seja algo hereditário.

“Nem todo mundo tem o problema. Geralmente, há predisposição por hereditariedade, mal formações congênitas ou casos em que o paciente está num grupo de risco. Como 80% dos cálculos renais são formados por cálcio e 20% por ácido úrico, também aumenta a chance (de pedras) para quem tem disfunções como a (doença) gota ou fez cirurgia bariátrica”,diz.

O sintoma importante, salienta Vieira, é a dor – “ou nos rins, ou como cólica renal. Sangue na urina também preocupa, mesmo que oculto pode ser visto no exame. Por isso, num check-up simples, é possível desconfiar do problema e pedir ultrassom dos rins”.