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Terça-feira

19 de Março de 2019

Blogueira com fibromialgia relata dificuldades após diagnóstico: 'Aprendendo a viver'

Sem cura, doença que atinge cerca de 2 milhões de brasileiros exige tratamento complexo

“A Fibromialgia virou meu mundo de cabeça para baixo”. É com essa definição que a blogueira Beatriz Morgado, de 19 anos, define as mudanças em sua vida após o diagnóstico da doença que faz parte da campanha “Fevereiro Roxo”. Por meio das redes sociais, a santista faz relatos sobre as dores e os problemas ocasionados pela 'fibro'.

As dores iniciaram nos membros superiores e logo tomaram todo o corpo. Após procurar diversos médicos, a jovem recebeu o diagnótico de um reumatologista em janeiro. “Quando soube do diagnóstico, comecei a chorar. Tudo o que eu queria era uma palavra para explicar aquela dor que eu sentia”, relata. A doença fez Beatriz perder o emprego por causa das internações frequentes, e interromper o curso de Relações Internacionais.

Blogueira santista diz que fisioterapia é uma ajuda contra os sintomas da doença (Foto: Arquivo Pessoal/ Beatriz Morgado)


A fibromialgia não apresentou apenas sintomas corporais, segundo Beatriz. Causada pela impossibilidade de trabalhar, ela foi diagnosticada com depressão, transtorno de ansiedade, bulimia nervosa, tudo causado pelos sintomas da doença e as mudanças que ela trouxe. Atualmente, a jovem passa por acompanhamento reumatológico, psiquiátrico, psicológico e fisioterapêutico para enfrentar as consequências da doença.

Na internet, Beatriz encontrou uma forma de explicar às pessoas o que é a doença e o preconceito que sofreu por causa dela. “Quando estive internada, pessoas da minha religião alegavam que eu estava vivendo em uma vida de pecado para estar sofrendo assim”. Nas postagens, ela aborda sobre os problemas psicológicos; as fortes dores que sente, como quando acorda sem conseguir mover parte do corpo; e os gatilhos que desencadeiam fortes crises que a levam até a sala de emergência do hospital.

Especialista explica sintomas da doença que afeta 2 milhões de pessoas (Foto: Reprodução/TV Tribuna)

Doença

A fibromialgia tem origem reumatológica, mas não é causada por uma inflamação. A doença causa dores acima e abaixo da cintura, atingindo uma das partes da coluna vertebral. Uma de suas características é que os sintomas duram mais de três meses, e está associada à péssima qualidade de sono.

Além disso, podem ser apresentados sintomas como formigamentos, tonturas, inchaço, rigidez muscular, dores de cabeça, depressão e síndrome do intestino irritável. Quanto ao diagnóstico, o reumatologista Eduardo Yabuta ressalta que a fibromialgia pode ser confundida com outras doenças. “Destaco ser fundamental e obrigatório que outras patologias com sintomas semelhantes sejam descartadas. É frequente que outras doenças apresentem os mesmos sintomas”, explica.

A doença é identificada por meio de um exame corporal onde 18 pontos de dor são tocados. Caso o paciente sinta dor em 11 ou mais pontos, ele é diagnosticado com fibromialgia. “Não há exames laboratoriais ou radiológicos capazes de detectá-la. O exame físico detalhado é fundamental para a convicção diagnóstica”, esclarece Yatuba.

O tratamento é medicamentoso, e o paciente recebe a recomendação para praticar esportes aeróbicos. O especialista também informa que a doença não gera deformidades nas articulações do paciente. “Infelizmente, a fibromialgia não tem cura. Entretanto, a busca pela redução das dores e melhora da qualidade de vida dos pacientes é o objetivo principal do tratamento”.