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Terça-feira

22 de Outubro de 2019

Avaliação é fundamental para cirurgia dos olhos

Nem todo distúrbio visual exige operação

As diferenças de visão causadas por miopia e hipermetropia (Arte/ AT)

Miopia, hipermetropia e astigmatismo são distúrbios da visão que incomodam cerca de 35 milhões de brasileiros, segundo pesquisas. Quando o grau dos óculos é alto, muitas vezes há a busca pela cirurgia – que em casos graves pode ser coberta pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Porém, nem todos os pacientes recebem indicação para operar.

Entre os padrões oculares que direcionam um paciente para a intervenção, está a idade, pois muitas vezes os erros refrativos só se estabilizam na fase adulta. Deve-se ter mais de 21 anos. Além disso, é preciso estar com o grau estável por mais de um ano e passar por avaliação específica.

Não é o grau que define quem pode se submeter ao procedimento, até porque a cirurgia a laser aprofunda a córnea e a redesenha, diz Gustavo Teixeira Grottone, supervisor da residência médica do Hospital de Olhos Grottone e doutor em Oftalmologia pela Unifesp.

“A cirurgia a laser funciona bem, mas tem algumas limitações. Depende de caso a caso. A pessoa tem que possuir curvatura e espessura adequadas de córnea, para não ter riscos. Eu já tive paciente que, com três graus de miopia, não dava para operar e, com oito, operei e ele ficou ótimo.” 

Outro mito que é necessário desmentir, segundo Marcello Colombo Barboza, doutor pela Unifesp e diretor clínico do Hospital Oftalmológico Visão Laser, é o termo zerar grau. “É complicado falar em zerar grau, pois a cirurgia não é estética e serve para tirar a dependência dos óculos”. 

Mas o grau volta?

Grottone conta que cerca de 80% dos pacientes que operam ficam com grau até 0,5. Os 20% restantes continuam com até um grau – seja de miopia, hipermetropia ou astigmatismo. Ou seja, 100% dos pacientes deixam os óculos. 

O que acontece geralmente, segundo os especialistas, é que todo ser humano, após os 40 anos, desenvolve a chamada presbiopia, mais conhecida como vista cansada. 

Ela dificulta a leitura de perto. Assim, celulares, bulas e livros se tornam mais difíceis de ler, embora muita gente que opera jovem acabe precisando dos óculos décadas depois.

Várias são as técnicas e os tipos de laser disponíveis no mercado. Geralmente, quanto mais novos, se mostram mais precisos, realizando cirurgias de 15 minutos e deixando o paciente já sem óculos no mesmo dia.

Independentemente da técnica empregada, apesar da alta, é recomendado que o paciente evite luz solar sem proteção e use óculos escuros e chapéu por cerca de três meses. Piscina e água do mar são proibidas.

Catarata pode ser resolvida de modo simples

É comum que pacientes com mais de 55 anos enfrentem, além de miopia, astigmatismo ou hipermetropia, a catarata. A parte boa disso é que pode-se operar e melhorar todas as condições num procedimento só. 

Catarata é a opacidade parcial ou total do cristalino – parte do olho atrás da pupila que ajuda a deixar as imagens nítidas. O primeiro sinal que surge é o distúrbio nas cores. Quem explica é Marcello Colombo Barboza, doutor pela Unifesp e diretor clínico do Hospital Oftalmológico Visão Laser. 

“Depois dos 50 anos, você já não pensa mais em cirurgia refrativa a laser para retirar os óculos. Quem tem essa faixa etária está mais perto de desenvolver a catarata do que se preocupar com óculos. Nestes, se avalia o risco de catarata, sinais precoces para, com a tecnologia, fazer a correção focal por meio do implante de uma lente.”

A lente colocada não é das que se compram em qualquer lugar. Ela é intraocular. E a cirurgia é segura e rápida, levando menos de meia hora. Tudo é feito com laser. Para a cirurgia, a anestesia é tópica, com colírios anestésicos. É rara a sedação do paciente. O procedimento é coberto pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Mas obter indicação depende de cada caso, após avaliação oftalmológica.

Serviço: O Hospital de Olhos Grottone faz cirurgias gratuitas para atender demandas sociais. Interessados podem ligar para (13) 3232-1005 ou ir até a Avenida Siqueira Campos, 498, cj. 3, no Embaré, em Santos. O atendimento é de segunda a sexta, das 8 às 12h e das 14 às 18h. 

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