Quem toma mais café após as 16 horas tem mais risco de ter a pressão arterial elevada (Alexsander Ferraz / AT) Ele é o combustível das manhãs e o queridinho das pausas ao longo do dia, mas o café, se consumido em excesso — especialmente no fim da tarde ou à noite — pode representar um risco silencioso para a saúde do coração. Um estudo recente publicado no Journal of the American Heart Association reforça que o consumo de cafeína em horários avançados do dia está diretamente ligado ao aumento da pressão arterial e à redução da qualidade do sono — fatores que elevam o risco de doenças cardiovasculares, como hipertensão e arritmias. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com especialistas do Instituto do Coração (InCor), o café tem benefícios comprovados, como aumento da disposição e melhora da concentração, exagerar na dose ou no horário pode desregular o organismo e comprometer a saúde arterial. O que diz o estudo A pesquisa acompanhou mais de 12 mil adultos em diferentes países ao longo de cinco anos e observou que aqueles que consumiam mais de três xícaras de café após as 16 horas apresentavam uma probabilidade significativamente maior de ter picos de pressão arterial durante a noite e no início da manhã seguinte — justamente quando o coração deveria estar em repouso. O estudo também analisou a qualidade do sono, encontrando evidências de que a ingestão tardia de cafeína reduz o tempo total de sono profundo e altera o ritmo circadiano, afetando a regulação natural da pressão arterial durante a madrugada. Café faz mal? Nem sempre. Diversas pesquisas anteriores mostraram que o café, quando consumido com moderação e em horários adequados, pode trazer benefícios à saúde, como ação antioxidante, melhora do desempenho cognitivo e redução do risco de doenças neurodegenerativas. O problema está no exagero e no horário do consumo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a ingestão diária ideal de cafeína não deve ultrapassar 400 mg — o equivalente a cerca de 4 xícaras de café coado ou 2 expressos duplos por dia. Acima disso, os riscos aumentam, principalmente para pessoas com histórico de hipertensão, ansiedade, insônia ou arritmias cardíacas. “Cada organismo reage de forma diferente à cafeína. Pessoas mais sensíveis podem ter efeitos adversos mesmo com doses pequenas, como taquicardia, dores de cabeça e dificuldade para dormir”, diz o Dr. Fábio Nunes. A cafeína e o ciclo da pressão arterial Durante o sono, a pressão arterial tende a cair naturalmente — um processo chamado de "mergulho noturno" (nocturnal dipping). Esse efeito é essencial para a recuperação cardiovascular. No entanto, a ingestão de cafeína à tarde ou à noite pode impedir essa queda, forçando o sistema cardiovascular a se manter em alerta. Estudos demonstram que a ausência desse "mergulho noturno" está associada a maior risco de infartos, AVCs e insuficiência cardíaca ao longo dos anos. Recomendações para o consumo seguro Confira as orientações dos especialistas para quem não abre mão do cafezinho, mas quer manter o coração em dia: Evite café após as 15h, especialmente se você tem problemas para dormir ou histórico de pressão alta; Prefira versões filtradas ou coadas, que têm menos cafeína do que o espresso ou cápsulas; Modere a quantidade diária total: o ideal são até 3 xícaras (coadas) por dia; Substitua o café da tarde por bebidas mais leves, como chá de camomila, cidreira ou água morna com limão; Atenção com outros produtos que contêm cafeína, como energéticos, refrigerantes tipo cola e alguns medicamentos. A armadilha do “café inocente” Muitas pessoas acreditam que um café “para despertar” no fim do expediente ou após o jantar não faz mal, mas essa é uma das armadilhas mais comuns. A cafeína leva de 6 a 8 horas para ser completamente metabolizada pelo organismo, o que significa que aquele expresso das 17h ainda está circulando em seu corpo quando você tenta dormir às 23h. Esse efeito pode prejudicar o sono, aumentar a irritabilidade e elevar a pressão durante a madrugada, criando um ciclo vicioso de cansaço e estímulo.