Erguido em meio à caatinga potiguar, o Pico do Cabugi é o raro testemunho de atividade vulcânica no Brasil (Reprodução / YouTube) No coração do Rio Grande do Norte, entre planícies e caatinga, ergue-se o Pico do Cabugi — a formação rochosa que costuma ser descrita como o único vulcão do Brasil que mantém seu formato original. Com pouco mais de 590 metros de altitude, o Cabugi é ao mesmo tempo monumento geológico, unidade de conservação e destino para quem busca geoturismo e paisagens incomuns no Nordeste. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O que é e por que é raro? O que hoje se vê do Cabugi é o que restou de um aparelho vulcânico formado há milhões de anos — um corpo ígneo que resistiu à erosão e manteve o aspecto cônico que muitos associam a um “vulcão”. Essa preservação é extremamente rara no Brasil, onde a maioria das antigas estruturas vulcânicas foi profundamente erodida ao longo do tempo geológico. Pesquisas geológicas datam as rochas do Cabugi em cerca de 19 milhões de anos, período em que atividade magmática modelou a região. Parque Ecológico e preservação O Pico do Cabugi está incluído no Parque Ecológico Estadual do Cabugi, uma unidade criada por lei estadual com o objetivo de proteger a formação, a biodiversidade da caatinga local e possibilitar o uso científico e turístico responsável. Órgãos ambientais do RN, como o IDEMA, coordenam ações de preservação e estudos na área, que também é alvo de propostas para reforçar a gestão e a visitação sustentável. Geologia em destaque, vulcão, neck ou remanescente vulcânico? Há precisão técnica na descrição: especialistas em geologia costumam diferenciar um vulcão propriamente dito do que resta de seu interior — o chamado neck subvulcânico (coluna de magma solidificado que preenchia o conduto). Em linguagem corrente e para o público, o Cabugi é frequentemente chamado de “vulcão extinto”, pois é um dos melhores exemplos no país de uma estrutura vulcânica com forma original reconhecível; em termos de processo geológico, estudos e análises apontam para diferentes interpretações sobre como exatamente se deu sua preservação. De todo modo, sua importância científica e cênica é unanimemente reconhecida. O que o visitante encontra, trilha, vista e Caatinga A subida ao Cabugi é procurada por quem gosta de caminhada e contemplação. A trilha de ida e volta tem cerca de 4,8 km e ganho de elevação na ordem de 392 m, com tempo médio de percurso entre 2 e 3 horas, dependendo do ritmo. No topo, a recompensa é a vista amplia do sertão potiguar — em dias claros é possível avistar longas faixas do interior do estado e entender por que a formação é marco visual da região. A fauna e a flora da caatinga, adaptadas ao clima semiárido, complementam a experiência. História, cultura e mito local O Pico do Cabugi integra também a memória cultural do Rio Grande do Norte: aparece em símbolos locais e é objeto de narrativas sobre os primeiros avistamentos da costa brasileira por navegadores. Algumas teorias históricas defendem que a formação pode ter sido um dos primeiros pontos costeiros notados por exploradores europeus — hipótese que alimenta roteiros e pesquisas, sem, porém, consenso definitivo entre historiadores. Pesquisa e educação ambiental Universidades e pesquisadores utilizam o local para estudos de geodiversidade, paleogeografia e educação ambiental. Projetos acadêmicos destacam a necessidade de investimento em sinalização, infraestrutura básica e ações para informar visitantes sobre os aspectos geológicos e a fragilidade do ecossistema local — medidas que equilibram turismo e conservação. Como visitar (dicas práticas) Onde fica: município de Angicos, região Central Potiguar; acesso pela BR-304 (rota entre Natal e Mossoró). Duração da trilha: planeje de 2 a 3 horas (ida e volta); leve água, proteção solar e calçado apropriado. Melhor época: prefira dias secos e início da manhã para evitar calor intenso e garantir visibilidade. Restrições: por se tratar de unidade de conservação, siga regras locais — não ilumine ou altere rochas, não recolha amostras e respeite rotas demarcadas. Consulte o IDEMA para visitação regulamentada. Por que importa para o Brasil O Pico do Cabugi é um “cartão-postal” geológico do país: conserva traços de um passado vulcânico pouco visível no território brasileiro, registra processos geológicos antigos e oferece oportunidade única de educação científica in loco. Para o RN, é ainda peça central do geoturismo e potencial ativo para diversificar roteiros além das praias.