Painel com André Esteves, Bruno Dantas e Aloizio Mercadante abordou caso Master e autonomia financeira (Esfera Brasil/Divulgação) O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, questionou a defesa da independência do Banco Central, especialmente após casos como o do Banco Master, em referência ao ex-presidente da instituição Roberto Campos Neto, que ocupou o cargo durante o governo Bolsonaro. A declaração foi dada ontem no Fórum Esfera Brasil, realizado no Hotel Jequitimar, em Guarujá. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Tudo isso aconteceu no Banco Central supostamente independente. De quem? Do governo, mas prisioneiro de interesses que não são necessariamente republicanos. A independência tem que ser operacional”, afirmou o presidente do BNDES. O presidente do BTG Pactual, André Esteves, comentou o escândalo do Banco Master, listando os prejuízos causados por um banco “inexpressivo”: R\$ 50 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC); R\$ 12 bilhões no Banco de Brasília (BRB), que comprou carteiras do banco de Daniel Vorcaro; e R\$ 4 bilhões em fundos de previdência. “Está claro que faltou controle”. Renovação de ativos Mercadante também falou sobre a renovação de ativos do BNDES por meio da venda de ações — entre elas, da Petrobras. Segundo ele, o momento da Bolsa de Valores é favorável e abre oportunidade para “empresas consolidadas e maduras investirem em novas empresas, com mais inovação e transição energética”.</MC> “Esse movimento é feito com calma, porque não vendemos ações quando chegamos”. Segundo ele, o Banco Central possui um mecanismo prudencial de regulação que determina que um banco não pode ter mais de 25% das ações concentradas em uma única empresa. “Nós ultrapassamos o limite da Petrobras na nossa carteira de forma passiva, porque não compramos ações; elas simplesmente se valorizaram muito. O papel do banco público é olhar para projetos portadores de futuro, correr risco e inovar”, acrescentou. Autonomia financeira No mesmo painel, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, falou sobre a autonomia financeira das agências reguladoras, cujo contingenciamento de verbas deverá ser fundamentado. “É preciso deixar claro que o eventual corte não vai atrapalhar a função fiscalizadora. Tínhamos agências reguladoras com responsabilidades elevadíssimas e sem orçamento para fazer o básico. Agora, isso mudou”, reforçou. Fórum discute IA e impacto da escala 6x1 No painel sobre inovação e produtividade do Fórum Esfera Brasil, o presidente do Conselho de Administração do Grupo Guararapes — controlador da Riachuelo —, Flávio Rocha, questionou o debate em torno do fim da escala 6x1 (seis dias de trabalho e um de descanso) , visto como um fator que pode elevar o preço dos produtos e pressionar a inflação brasileira. “Colocar-se contra um maior tempo de convívio em família pode até soar desumano. O que precisa ser discutido é a conveniência disso estar cristalizado no texto constitucional. Conquistas sociais não são fruto de ‘canetadas pontuais’, mas de uma evolução da produtividade”, argumentou. “No caso do varejo, o impacto é maior, porque o setor é mais dependente de mão de obra. Então, imaginamos que o custo suba entre 18% e 20%”, afirmou. Flávio Rocha vê problemas no fim da escala 6x1 para o setor varejista (Esfera Brasil/Divulgação) Tecnologia No debate sobre transformação digital como vetor de crescimento, o presidente do Google Brasil, Fábio Coelho, destacou que qualquer inovação tecnológica capaz de auxiliar cidadãos e empresas é bem-vinda. “Hoje, no Brasil, 91% das pessoas que usam internet têm acesso à inteligência artificial. Para as empresas, isso impacta porque os modelos têm visão, linguagem e ação”, explicou. “A percepção atual é que a IA vai além de um suporte às áreas de marketing e vendas: atua também na manufatura, logística, suprimentos e energia.” Já o presidente da Finep, empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luis Antonio Elias, afirmou que é preciso enxergar a inovação dentro do momento disruptivo vivido pelo mundo. “Neste momento, temos oportunidades na transição ecológica, na petroquímica e no setor automotivo. Mas existe um fator decisivo: o empresário acreditar no risco”, definiu. Eleições O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Luís Roberto Barroso comentou sobre o uso da inteligência artificial como propulsor de fake news nas próximas eleições. “Há preocupações com a massificação da inteligência artificial no assassinato de reputações. A sociedade deve exigir da classe política um debate de ideias, mais programático”, afirma.