Médico renasce após ficar um mês intubado e 100 dias na luta contra a Covid-19

"Acho que Deus viu que ainda não era a hora de me levar", relatou o pediatra Carlos Maurício de Paulo Maciel

O pediatra Carlos Maurício de Paulo Maciel, de 65 anos, foi um dos primeiros pacientes graves da doença no Rio de Janeiro. No total, foram 100 dias de internação, sendo que um mês intubado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Por inúmeras vezes, ele quase morreu. 

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Atualmente, o médico ainda se recupera das sequelas da doença. O tratamento deve durar pelo menos mais dois meses. Ele ainda deve ficar com problemas para andar e precisar do uso de bengalas. No entanto, ele diz que só tem o que comemorar. 

Carlos Maurício relata ter sentido muito medo por conta da gravidade dos sintomas que teve. O fato de ter sido fumante e ter mais de 60 anos o colocava no grupo de risco, o que fez respeitar todas as medidas de isolamento, mas mesmo assim foi infectado. 

"Comecei a ter sintomas no dia 19 de março. Tive um resfriado e perdi o olfato. Logo a seguir veio a perda de paladar e a febre, aí já imaginava ter sido infectado. Ainda tinha receio de ir a um hospital, porque a orientação inicial era de que deveríamos ir somente quando ocorressem sintomas mais graves, como falta de ar", relata o médico. 

O quadro foi se agravando após as semanas, até que em 30 de março, com o pulmão comprometido, ele foi avisado pelos profissionais da saúde que precisava ser intubado. 

"Quando fui avisado, tive muito medo. Pedi o telefone para falar com a minha mulher. Depois disso, só lembro de ter acordado atordoado e sem conseguir falar por causa da traqueostomia. Lembro do meu médico, ao meu lado, perguntando como eu estava. Só consegui responder por sinais. Levei um susto quando me disseram que fiquei um mês em coma induzido. Assustador", conta. 

Enquanto Carlos estava em estado gravíssimo, a mulher dele e as duas filhas menores, Nina, de 17 anos, e Mila, de 15, também testaram positivo para covid-19. As filhas foram assintomáticas e a esposa teve só sintomas leves, como a perda do olfato. 

Para salvar Carlos Maurício, alguns recursos considerados inovadores no tratamento da doença foram usados. Como um aparelho, o ECMO, capaz de funcionar como um pulmão e um coração artificiais.

"Os médicos diziam que eu queria muito viver. Acho que Deus viu que ainda não era a hora de me levar", finaliza. 

* Com informações do Extra

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