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Segunda-feira

3 de Agosto de 2020

Filha de embaixador morto durante regime militar processa Regina Duarte por apologia à ditadura

Autora do processo, Lygia Jobim utilizou trechos da entrevista da atriz ao canal de televisão CNN Brasil

A atriz e ex-secretária de Cultura Regina Duarte está sendo processada por apologia à ditadura. A autora da ação é Lygia Jobim, filha do ex-embaixador José Jobim, que foi morto durante o regime militar. O documento, que contém 25 páginas, traz trechos da entrevista concedida pela então secretária de Cultura ao canal de televisão CNN Brasil. 

Na ocasião, Regina chegou a falar que “sempre houve tortura”. “Sempre houve tortura, não quero arrastar um cemitério. Mas a humanidade não para de morrer, se você falar de vida, de um lado tem morte. Por que olhar para trás? Não vive quem fica arrastando cordéis de caixões, acho que tem uma morbidez neste momento. A Covid está trazendo uma morbidez insuportável, não tá legal”, afirmou.

Em outra parte da ação, Lygia lembra outras declarações da atriz. “Eu acho essa coisa de esquerda e direita tão abaixo do patamar da cultura (….) Agora por que eu estou apoiando o governo Bolsonaro? Porque eu acredito que ele era e continua sendo a melhor opção para o país. E aí você diz assim ‘Ah mas ele fez isso, ele fez aquilo’, eu não quero ficar olhando para trás, se eu ficar olhando para o retrovisor, eu vou dar trombada. Posso cair num precipício ali na frente. Tem que olhar para frente, tem que ser construtivo, tem que amar o país. O que eu tenho hoje? Eu tenho isso? É com isso que eu vou lidar. Ficar cobrando coisas que aconteceram nos anos 60, 70, 80, gente, ‘vambora’, ‘vambora’ para frente”.

A autora da ação afirmou que o processo não é apenas por ela, mas para todas as famílias vítimas da ditadura.

“Eu me senti absolutamente indignada e ofendida, ao assistir as declarações de Regina Duarte. Eu não conseguia acreditar que tantos absurdos estavam sendo ditos por uma secretária de Cultura, cujo cargo deveria zelar pelo direito à memória e à verdade deste país. A falta de empatia dela com as vítimas da ditadura e com as do coronavírus é lamentável. Em determinados momentos, ela minimiza as torturas, age com menosprezo e deboche. Esse tipo de discurso tenta demonizar as vítimas. Felizmente, esse não é o pensamento da grande maioria da classe artística”.

*Com informações da Carta Capital

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