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Sexta-feira

23 de Agosto de 2019

Evite cair em golpe ao negociar um veículo

Deve haver atenção especial a particulares

Já faz um tempo que os carros usados estão em alta no gosto (e no bolso) do brasileiro. Em janeiro, para cada veículo novo comercializado no País, 4,7 usados são vendidos, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). O motivo da escolha é a relação custo benefício.

Mas essa vantagem financeira pode virar um grande prejuízo se não houver cuidados redobrados, sobretudo quando o negócio for feito com particulares.

Um morador de Praia Grande, de 53 anos, que não quer se identificar, viu o sonho de ter um carro se transformar em pesadelo ao cair em um golpe aplicado num site de compras.

No início do mês, a vítima se interessou por um Ford Ka, 2016, anunciado pela internet. Ao contatar quem fez o anúncio, um homem que se identificou como Cesar marcou um encontro em um shopping para que o carro fosse visto, mas quem acompanharia tudo seria uma mulher identificada como sua cunhada, que, no papel, seria a dona do automóvel. O preço anunciado era de R$ 29 mil, abaixo do de mercado.

“Ele justificou que estaria nesse valor por causa da quilometragem alta e que ele queria vender logo para se mudar para Portugal”, lembra a vítima, que gostou do carro e foi com a mulher fazer a vistoria veicular completa. “Não constou nada, e o carro estava mesmo no nome da mulher. Eu ainda procurei um despachante de confiança, que verificou que a situação do carro estava toda regular.”

Da vistoria, os dois foram para o cartório para transferir o veículo ao morador de Praia Grande. Ao chegar lá, a mulher teria falado que só faria a transferência depois do pagamento.

Por mensagem de celular, Cesar passou um número de conta bancária, e o interessado no carro realizou, na hora, uma transferência para a conta de um terceiro e enviou o comprovante. Depois disso, ele foi bloqueado pelo falso vendedor, que não respondeu mais as suas mensagens.

A mulher disse que não conseguia mais falar com Cesar e que não faria a transferência do carro. A vítima chamou a polícia e fez um boletim de ocorrência. Pouco tempo depois, a mulher foi liberada da delegacia, e a vítima ficou sem o carro e sem o dinheiro.

“Era o dinheiro que tinha da minha aposentadoria. Não tenho mais recursos. Eu me cerquei de alguns cuidados, mas não foram suficientes para me proteger desses bandidos”, diz ele, que pretende entrar na Justiça para reaver seu dinheiro.

Ele acredita que, além de conferir os dados do carro, fazer um contrato formal de compra e venda do carro possa dar uma garantia a mais ao fechar negócio com uma pessoa que não se conhece.

Orientações

O Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran.SP) afirma, por nota, que, no caso específico de Praia Grande, o pagamento só deveria ter sido feito com o veículo nas mãos do comprador. Só depois disso ele deveria continuar com os procedimentos para a transferência.

O órgão estadual explica que os principais documentos solicitados na hora da transferência são a cópia e original da CNH atualizada, comprovante de residência atualizado e os documentos do veículo (CRV e CRLV, respectivamente, documento de compra e venda e o licenciamento anual).  segurança para não ter dor de cabeça ao comprar ou vender um veículo.