Conexão Portugal: Recorde de infectados com Covid-19

Governo decreta estado de calamidade e aumenta restrições para eventos

Pela primeira vez desde o início da pandemia da Covid-19, Portugal ultrapassou a barreira dos 2 mil casos diários de infecção, segundo o boletim epide-miológico da Direção Geral de Saúde (DGS) lançado no último dia 14. O documento citava ainda que sete pessoas faleceram e 957 estavam hospitalizadas, um aumento de 41 infectados se comparado com o dia anterior – destas, 135 necessitavam de cuidados intensivos, três a mais que no dia anterior. No total, desde o início da pandemia, foram infectadas em Portugal 91.193 pessoas, sendo que 54.493 se curaram e 2.117 pessoas faleceram.

Existe neste momento, em Portugal, um total de 34.583 pessoas ativas com o vírus a ser acompanhados pelas autoridades de saúde – 97% do total de ativos recuperam-se em ambiente domiciliar. A maioria dos infectados mais recentes localiza-se na região norte  e em Lisboa e Vale do Tejo. Há ainda na região centro, no Alentejo, no Algarve, nos Açores e na Ilha da Madeira.

Segundo Marta Temido, responsável pela pasta de Saúde do governo, há em Portugal 396 surtos ativos da Covid-19. 

O aumento excessivo no número de casos fez o governo agir rápido e o Estado de Calamidade foi decretado no dia 14 pelo primeiro-ministro Antônio Costa, ao final da reunião do Executivo que votou pelo aumento das restrições no país. Com isso, oito novas medidas entraram em vigor à partir da zero hora do dia 15 em todo o território nacional. Os ajuntamentos na via pública vão ser limitados a cinco pessoas e os eventos de natureza familiar que sejam marcados a partir dessa data, como casamentos e baptizados, a 50 pessoas. Nas universidades e nos politécnicos, são “proibidos todos os festejos acadêmicos e recepções”.

Com o nível de alerta indo da situação de contingência para o estado de calamidade em todo o território nacional, o governo fica livre para adotar, sempre que necessário, medidas que se justifiquem para conter a pandemia, como, por exemplo, a restrição de circulação das pessoas. 

O ponto mais polêmico e que divide opinião é a obrigatoriedade da máscara em via pública, que pode vir a ser adoptada em breve. Será apresentado à Assembleia da República uma proposta de lei que solicita uma tramitação de urgência para que seja imposta a obrigatoriedade do uso da máscara na via pública, com o óbvio bom senso de só nos momentos em que há mais pessoas na via pública, e também da utilização da aplicação STAYAWAY COVID em contexto laboral, escolar e acadêmico, nas forças armadas e nas forças de segurança e no conjunto da administração pública.

Estas medidas visam “reforçar o sentido coletivo de prevenir a expansão da pandemia”, declarou Antônio Costa na conferência de imprensa, recordando o comportamento individual que, em março, permitiu a “contenção da pandemia”. “Sei que hoje existe um cansaço e percebo que há, em muitas pessoas, uma percepção errada de um menor risco dos efeitos da Covid”, assinalou Costa, chamando a atenção de que esta percepção de diminuição do risco é “ilusória”. 

O primeiro-ministro chamou novamente a atenção para o fato de que este é um “vírus novo”, que a ciência “ainda conhece insuficientemente, designadamente sobre as sequelas que pode deixar na vida de cada um que seja infectado”. Assim, “não podemos desvalorizar o risco futuro” para a vida de cada um de nós. A situação de Calamidade é o nível mais elevado que pode ser declarado nos termos da Lei de Bases de Proteção Civil, a seguir à situação de Alerta e de Contingência.

Luiz Plácido é jornalista, apresentador do programa Destino Portugal (transmitido no canal de tv a cabo Travel Box Brazil) e proprietário da agência de turismo Destino Portugal Viagens. Ele escreve na coluna Conexão  quinzenalmente.

 

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