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Sexta-feira

23 de Agosto de 2019

Conexão Portugal: Passe revoluciona transporte público

Nesta edição da coluna, Luiz Plácido fala sobre novidade que permite viajar por preço único de 40 euros por mês

Muito se fala dos transportes públicos. São apelos por todos os lados para que as pessoas deixem o carro em casa e andem de ônibus ou metrô. Mas pouco se faz para que, de fato, a população se sinta atraída por essa ideia. Ou melhor, pouco se fazia. Entrou em vigor no dia 1° uma nova modalidade de passe para os transportes públicos portugueses. 

A novidade permite viajar por toda a área metropolitana de Lisboa (18 municípios) e do Porto (17 municípios) por um preço único de 40 euros ao mês, gerando, em alguns casos, uma economia de mais de cem euros mensais. 

Para se ter uma ideia, o trajeto mais caro da grande Lisboa, um combinado de trechos de trem, ônibus e barco, custava 192,15 euros mensais. Com a nova tarifa de 40 euros, que engloba todos os meios de transportes coletivos, o usuário terá uma economia de 152,15 euros por mês.

Para viagens dentro de um município, o valor mensal é ainda mais baixo, 30 euros mensais. E não para por aí. No próximo ano, haverá mais mudanças no transporte rodoviário na Grande Lisboa e no Grande Porto. Serão abertos concursos para a concessão dos serviços de transporte rodoviários que passarão a operar debaixo de uma única “marca”, metropolitana, com ônibus de cores iguais, ainda que sejam vários os operadores envolvidos. 

Além dos preços únicos para a área metropolitana e municipal, foi criado o passe familiar, um agregador de todos os cartões da mesma família. O preço limite para qualquer agregado, independentemente do número de pessoas foi fixado em 60 euros para transportes do mesmo município e 80 euros para a área metropolitana. 

Estudantes até 23 anos terão 25% de desconto, crianças até 12 anos não pagam e maiores de 65 anos, aposentados e pensionistas terão desconto de 50%. Um erro foi ter excluído pessoas com deficiência dos descontos. 

O Programa de Apoio à Redução do Tarifário dos Transportes Públicos (Part) que une um único passe para trens, metrôs, ônibus e barcos só foi possível graças à atribuição de 104 milhões de euros pelo Estado por meio do Fundo Ambiental. Destes, Lisboa ficou com a maior fatia, cerca de 73 milhões de euros, ou 70,2% do total de verba destinada para este primeiro ano. A cidade do Porto levou 15,8 milhões de euros, ou 14,5%, e as restantes comunidades intermunicipais do país angariaram 15,9 milhões de euros, ou 15,3% do total para dividir entre as outras 21 comunidades.

O plano de bilhete único, chega ao restante do país no próximo dia 1°. Cada morador de Lisboa ganhou subsídio de 26,7 euros para baixar o passe social. Cada morar do Porto ficou com 8,4 euros e o restante do país com menos de dois euros por habitante, o que mostra um certo escalão de portugueses. Os de primeira linha vivem na grande Lisboa, os de segunda linha na grande Porto e os da terceira linha no restante do país. 

Medidas futuras devem estreitar essa diferença entre as regiões para que num futuro breve o Porto seja como Lisboa e o resto do país seja como Porto e Lisboa.